domingo, 9 de junho de 2013

Sermão - 3º Domingo depois de Pentecostes

Revmo. Padre René C. Trincado.

Estimados irmãos: a epístola de hoje diz: Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. (1 Pe. 5,8-9)

Sede sóbrios e vigiai: para nos defender das inumeráveis astúcias do demônio, devemos viver com temperança e vigiar, quer dizer, ser prudentes, estar atentos, usar a inteligência, ser reflexivo, ter um cuidado constante. E, por certo, também devemos orar, pois Cristo disse vigiai e orai para que não entreis em tentação (Mt 23, 41; Mc 14, 38)

Dotado de uma inteligência superior, o maligno de ordinário se disfarça de anjo de luz. Intenta arrastar-nos ao mal sob pretextos ou aparências de bem. Quanto mais reais parecem esses disfarces de bondade, mais perigosos se voltam os enganos do demônio.   

Neste contexto, o desejo de chegar a um acordo com os modernistas destruidores da Igreja, nova prioridade da FSSPX, constitui uma ilusão perigosíssima, porque submeter a Tradição ao poder dos liberais é em uma palavra – suicídio. O disse claramente Mons. Lefebvre depois de retratar o protocolo de acordo de 1988.

Os disfarces, as aparências de bem, as falsas razões, estão ante nossos olhos: “estando dentro da estrutura oficial muito mais almas viriam a nós, poderíamos fazer muito bem”. “Pedir que essa nefasta etiqueta [de “excomungados”] seja removida, equivale a restituir a Tradição seu nome glorioso” (Palavras do Superior Geral, Cor Unum nº 85, 10-06) “A situação em que estamos é como a situação ao fim do inverno: se vêem os brotos. A primavera está para vir” (Mons. Fellay, 8-10-12). “A condição do capítulo de 2006, que dizia que não devemos buscar uma solução prática antes da doutrinal, é em teoria muito clara, mas na prática [é] impraticável” (id.).”... me disseram que a primeira coisa que fará sendo reconhecidos, é que se abrirá em Roma um seminário, um instituto para o estudo do Concílio... também me disseram: em pouco tempo nos chamarão até as congregações romanas. São gente que sabe que o futuro está na Tradição...” (id) “O papa expressa uma vontade legítima com respeito a nós, que é boa” (carta de Mons. Fellay aos outros três bispos de 14-4-12). “Se Nosso Senhor nos dirige, nos dará também os meios para continuar nossa obra” (id.) “O Bom Deus não nos abandonaria no momento mais crucial” (id.). “Monsenhor Lefebvre não haveria duvidado em aceitar o que nos propõem (id.)”.

O acordo suicida não se firmou porque os liberais romanos exigiram mais do que o Superior Geral estava disposto a ceder. Este, como se constata ao ler a declaração que apresentou ao Vaticano em abril do ano passado, cedeu de tal maneira que sua contraproposta, longe de constituir um ato de comprovação dos oferecimentos de Roma – como disse reiteradamente - implicou uma traição objetiva a Fraternidade, ao legado de Mons. Lefebvre, a fé, a Igreja e a Cristo.

Logo dessa tentativa falida de selar a paz com os inimigos de Cristo, se levou a cabo um Capítulo Geral, em cujas atas se lê em caso de reconhecimento canônico, a congregação porá certas condições a Roma. A primeira das condições necessárias ou sine qua non é a seguinte:

 “A liberdade de conservar, transmitir e ensinar a sã doutrina do Magistério constante da Igreja e da verdade imutável da Tradição Divina; a liberdade de defender, corrigir, repreender, inclusive publicamente, os promotores dos erros ou as inovações do modernismo, do liberalismo, do concílio Vaticano II e de suas consequências” ( sic na tradução oficial)

Sobre esta condição, em uma conferência dada em 8 de outubro do ano passado na Argentina, o Superior Geral explicava o seguinte: “Dizer que temos direito a atacar os erros significa que a autoridade está de acordo, significa uma conversão. É muito claro! Significa que a cabeça não é liberal porque um liberal, um modernista, não pode permitir que se ataque o liberalismo”. Ouvimos outros acordistas expressarem-se em idênticos termos.

Antes de tudo há que dizer que diante de umas autoridades romanas convertidas do modernismo ao autêntico catolicismo, ante um Papa que deixa de ser liberal e passa a ser antiliberal (porque neste não cabe uma neutralidade ou meio termo: ou se é liberal ou se é antiliberal); não há direito a por condições, a fazer exigências ou a negociar acordos: simplesmente se deve obedecer. Então, por que há outras cinco condições além desta?

O segundo que há que observar é que é falso que um Papa demonstraria haver abandonado o liberalismo por tolerar que se contradiga sua doutrina. Acaso não é o liberalismo uma ideologia contraditória? Não promovem os liberais essa forma de demencial libertinagem chamada “liberdade de expressão”? Pode não ser liberal um Papa que aceite que uma congregação a ele submetida contradiga o ensinamento oficial, magistério papal incluído? Não seria um perfeito liberal?

Portanto, a primeira e fundamental condição posta pelo Capítulo de Julho está formulada, a medida, para um Papa liberal, e essas seis condições fazem possível um acordo com os modernistas em qualquer momento. São uma armadilha.

Estimados irmãos: resistamos ao diabo firmes, inteiramente intransigentes na fé. “Se tratando da verdade religiosa, ensinada e revelada pelo mesmo Deus – diz o grande bispo antiliberal Ezequiel Moreno – se Ele é nosso futuro eterno e a salvação de nossa alma, não há transação possível. Me encontrareis inquebrantável e haverei de ser. A condição de toda verdade é ser intolerante; mas a verdade religiosa, sendo a mais absoluta e a mais importante de todas as verdades, é por consequência também a mais intolerante.


Nenhum comentário:

Postar um comentário