segunda-feira, 24 de junho de 2013

SERMÃO DO V DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES - R.P. RENÉ TRINCADO

CORAÇÃO DE FOGO

Dado que amanhã, segunda-feira, a Igreja celebra a Natividade de São João Batista, diremos algo sobre este grande Santo.

Se diz no começo do quarto Evangelho: Houve um homem enviado de Deus, que tinha por nome João. Este veio em testemunho, para dar testemunho da Luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas veio dar testemunho da Luz.

Toda a doutrina e obras de São João não tiveram outro fim que preparar nas almas os caminhos de Cristo, diz Santo Tomás. (Sum. Teol. III, c. 38 a 3). São João Batista devia dar testemunho da luz, não dando de si a Luz, senão sendo um reflexo antecipado da Luz que é Cristo. Cheio do Espírito Santo, desde o seio de sua mãe, iluminava irradiando uma grande luz porque Deus havia posto nele um coração de fogo, igual o do profeta Elias, de quem São João Batista era herdeiro e fiel continuador. Sua alma estava cheia dessa zelo ardente de que diz Cristo: Fogo vim lançar sobre a terra e como quero que arda!

Todo fogo queima e ilumina. Fogo santo e escolhido que preparava no tempo a chegada do Fogo Eterno, o Batista era uma artocha que ardia e iluminava, diz Nosso Senhor. Para isso veio, para isso existia, para arder e iluminar, para queimar-se e para queimar.

FORTE COMO O FOGO

Perguntava Cristo sobre São João Batista aos judeus: Que saístes a ver? Uma cana agitada pelo vento? Um homem débil, inseguro, irresoluto, cambiante? Não: um homem forte. Porque é forte como o fogo e terrível, inflexível, devorador, insaciável e conquistador: tudo o que toca o converte em si mesmo. Por isso neste homem de fogo brilha a mais perfeita fortaleza.

A virtude da fortaleza tem dois atos: atacar e resistir, sendo a resistência o principal e mais difícil. São João resiste a austeridade da vida no deserto, suporta imóvel aos ataques dos escribas e fariseus, não se deixa arrastar pela adulação de alguns que o tinham como o Messias, não cede diante das ameaças dos poderosos. O Batista não é nenhuma cana agitada pelo vento. Tudo o contrário: ele é o vento que agita e destroça as canas, os carvalhos, as rochas e as montanhas; é um vendo abrasador, uma chama, um incêndio.


FORA DIPLOMACIAS, AMBIGUIDADES, HIPOCRISIAS, SIMULAÇÕES

Aos que vinham pedir seu batismo os recebia com estas palavras: Raça de víboras, quem os ensinou a fugir da ira que os ameaça? Palavras de fogo. Disse S. João Crisóstomo que ao povo falava varonil e fervorosamente, de um modo atrevido ao rei, com franqueza a seus discípulos. São João Batista, direto como o fogo, detestava a mundana diplomacia, o linguajar ambíguo, odiava a hipocrisia, a simulação, o sincretismo. Vossas palavras sejam sim sim, não não, porque o que disso passa vem do maligno, disse Cristo. Não conhecia os respeitos humanos e não se calava diante de nenhum homem se havia obrigação de dizer a verdade.

NENHUM ACORDO, NENHUMA TRAIÇÃO

Por isso, São João, censurava publicamente a Herodes seu adultério. E Herodes, como sabemos, o prendeu, ainda que tinha respeito e o ouvia com gosto. E mais: disse S. Tomás (Catena Aurea, Glosa) que Herodes o temia, o respeitava e o protegia para que não o matasse Herodíades. Sendo assim, para evitar a morte, podia ter feito São João Batista algum tipo de acordo com Herodes. Mas não: esta fiel artocha de Deus jamais fez pacto ou acordo algum com a escuridão. Havendo recebido de Deus a missão de iluminar, iluminou até que Deus quis, até o fim, até consumir-se todo, até o martírio. 

¡USQUE AD MORTEM!

São João, o forte, não se deixa vencer pelas simpatias passageiras e a inconstante benevolência de Herodes, que sim, era uma cana agitada pelos ventos de muitos pecados; senão que insiste em repreender pública, frontal, direta, inequívoca e reiteradamente ao rei, pecador público. Não vos é lícito ter por mulher a que é de seu irmão. “Non licet”. Isso que fazes não é lícito, isso que fazes está mal, isso é um pecado, isso ofende a Deus. O resto é história conhecida: amando sobre todas as coisas a união da alma com Deus na Verdade, terminou dividido em dois, isto é, decapitado.

 O ZELO DE TUA CASA ME DEVORA

O zelo de tua casa me devora. O fogo transforma em fogo ao que o toca. A faísca divina que é a graça pode causar um incêndio em quando se deixa atuar, tirando o impedimento do pecado. Por isso São Paulo demonstrou a mesma santa audácia diante da indevida simulação do Papa São Pedro, a quem disse essas mesmas palavras: “non licet”: não vos é lícito.


MONSENHOR LEFEBVRE: OUTRO CORAÇÃO DE FOGO

Estimados fiéis: vinte séculos depois, sendo legítimo herdeiro deste fogo, até então sempre conservado na Igreja de Cristo, outro coração cheio de santa ira lançou novamente o grito de “non licet”, esta vez contra o concílio que ousou batizar os princípios maçônicos liberais. E Mons. Lefebvre legou a Tradição, por sua vez, esse mesmo fogo. E nosso sagrado e primeiro dever é conservar ardendo o fogo do combate pela fé até o fim, quer dizer, até a morte de cada um de nós ou até que Roma apóstata volte a fé católica.

SANTA VIOLÊNCIA E PACIFISMO COVARDE


O Reino dos Céus sofre violência e somente os violentos o arrebatam, disse Nosso Senh0r, falando do Batista. Nós católicos jamais devemos deixar-nos arrastar pela corrente desse pacifismo covarde, tão característico dos liberais, pacifismo satânico que aspira a compromissos adúlteros e acordos traidores com os modernistas, hereges destruidores da Igreja. Disse São Paulo: Não os unais baixo um jugo desigual com os infiéis, pois, que tem de comum a justiça e a iniqüidade? Ou que sociedade pode existir entre a Luz e as trevas? Ou que acordo pode haver entre Cristo e Belial? (2 Cor 6, 14-15. Não una o homem o que Deus separou.

IPSA CONTERET


Que a Santíssima Virgem, destruidora das heresias (um dia também da atual) conserve em nossos corações o fogo que ardeu no peito de São João Batista e de Monsenhor Lefebvre, e que com seu bendito pé esmague logo a cabeça do demônio liberal e modernista. 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Entrevista com Monsenhor Lefebvre por “Le Figaro”

Tradução da versão espanhola do site amigo: http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br/

Nesta entrevista, as declarações de Monsenhor Lefebvre são tremendas e sumamente esclarecedoras. Parece que foi feita para estes tempos.


-Monsenhor, não está o senhor a beira do cisma?

-Esta é uma questão que apresentam muitos católicos ao ler sobre as últimas sanções feitas por Roma contra nós. Os católicos, em sua maioria, definem ou imaginam o cisma como uma ruptura com o Papa. Não levam mais além sua investigação. Os senhores romperão com o papa ou o papa romperá com os senhores, e portanto irão ao cisma.

Por que romper com o Papa é fazer cisma? Porque onde está o Papa está a Igreja Católica. Mas a Igreja Católica é uma realidade mística que existe não somente no espaço ou na superfície da Terra, mas também no tempo e na eternidade. Para que o papa represente a Igreja e seja sua imagem, deve estar unido a ela não somente no espaço, mas também no tempo, sendo a Igreja essencialmente uma tradição viva.

Na medida em que o papa se distancia desta tradição, far-se-á cismático, romperia com a Igreja. Teólogos como São Belarmino, Caetano, o Cardeal Journet e muitos outros estudaram esta eventualidade. Portanto, não é algo inconcebível. Mas, no que a nós concerne, é o Concílio Vaticano II e suas reformas, suas orientações oficiais o que nos preocupa, mais que a atitude pessoal do papa, mais difícil de descobrir.

Este concílio representa, tanto aos olhos das autoridades romanas como aos nossos olhos, uma NOVA IGREJA, chamada A IGREJA CONCILIAR.

Nós cremos poder afirmar, tendo em vista a crítica externa e interna do Vaticano II, quer dizer, analisando os textos e estudando as atas e as conclusões deste Concílio, que este, dando as costas à Tradição e rompendo com a Igreja do passado, é um CONCÍLIO CISMÁTICO. Julga-se a árvore por seus frutos. Desde então, toda a grande imprensa mundial americana e europeia reconhece que este concílio está arruinando a Igreja Católica a tal ponto, que até os incrédulos e os governos laicos se inquietam.

Um pacto de não agressão foi concluído entre a Igreja e a maçonaria. É a este pacto que se cobriu com o nome de aggiornamento, de abertura ao mundo, de ecumenismo. A partir daí, a Igreja aceita já não ser a única religião verdadeira, o único caminho de salvação eterna. Ela reconhece as outras religiões como religiões irmãs. Reconhece como um direito, outorgado pela natureza da pessoa humana, que esta seja livre para escolher sua religião e que em consequência um Estado católico já não é admissível.

Admitido este NOVO PRINCÍPIO, é toda a doutrina da Igreja que deve mudar seu culto, seu sacerdócio, suas instituições. Porque até então a Igreja manifestava que ela era a única a possuir a Verdade, o Caminho e a Vida em Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem possuía em pessoa na Santa Eucaristia, presente graças à continuação de Seu Sacrifício. Portanto, é uma inversão total da tradição e do ensinamento da Igreja que se operou no Concílio e pelo Concílio.

Todos aqueles que cooperam na aplicação desta mudança radical aceitam e aderem a esta nova Igreja conciliar, como a designou Sua Excelência Monsenhor Benelli, na carta que me dirigiu em nome do Santo Padre no último 25 de junho, entram em cisma.  

A adoção das teses liberais por um concílio não pode haver tido lugar senão em um concílio pastoral não infalível e não pode explicar-se sem uma secreta e minuciosa preparação que os historiadores terminaram de descobrir com grande estupefação dos católicos que confundem a Igreja Católica e Romana eterna com a Roma humana e suscetível de ser invadida pelos inimigos cobertos de púrpura. Como poderíamos nós, por uma obediência servil e cega, seguir o jogo desses cismáticos que nos pedem que colaboremos em sua empresa de destruição da Igreja?

A autoridade delegada por Nosso Senhor ao papa, aos bispos e ao sacerdócio em geral está a serviço da fé em sua divindade e da transmissão de Sua própria vida divina. Todas as instituições divinas ou eclesiásticas são destinadas a este fim. Todos os direitos, todas as leis não têm outro objetivo. Servir-se do direito, das instituições para ANIQUILAR A FÉ CATÓLICA e já não comunicar a vida, é praticar o aborto ou a contracepção espiritual. Quem ousará dizer que um católico digno deste nome possa cooperar para um crime pior que o aborto corporal?

É por isso que nós estamos submetidos e dispostos a aceitar tudo o que for conforme à nossa fé católica, tal qual foi ensinada durante dois mil anos, mas rejeitamos tudo o que se opõe a ela. Objeta-se-nos: Os senhores julgam a fé católica. Mas não é o dever mais grave de todo católico julgar a fé católica que se ensina hoje pela fé que foi ensinada e crida durante vinte séculos e que está inscrita nos catecismos oficiais, como o de Trento, o de São Pio X e em todos os catecismos anteriores ao Vaticano II? Como atuaram todos os verdadeiros fiéis com respeito às heresias? Eles preferiram derramar seu sangue a trair sua fé. Se a heresia vem de algum porta-voz tão elevado em dignidade como possa sê-lo, o problema é o mesmo para a salvação de nossas almas. A este respeito, muitos fiéis sofrem de grave ignorância da natureza e da extensão da infalibilidade do papa. Muitos pensam que qualquer palavra saída da boca do papa é infalível.

Por outro lado, temos certeza de que a fé ensinada pela Igreja durante vinte séculos não pode conter erro, mas não temos, de modo algum, absoluta certeza de que o papa seja verdadeiramente papa.

Neste caso, evidentemente muito excepcional, a Igreja se encontraria em uma situação parecida com a que ela sofre depois da morte de um soberano pontífice. Porque, afinal, um grave problema se apresenta à consciência e à fé de todos os católicos desde o princípio do pontificado de Paulo VI. Como é possível que um papa, verdadeiro sucessor de Pedro, com a assistência assegurada do Espírito Santo, possa presidir à destruição da Igreja, a mais profunda e a mais extensa de sua história, no espaço de tão pouco tempo, o que nenhum heresiarca jamais conseguiu fazer?

Haverá que responder a está questão um dia, mas, deixando este problema para os teólogos e para os historiadores, a realidade nos obriga a responder praticamente segundo o conselho de São Vicente de Lérins: “Que fará o cristão católico se uma parte da Igreja se separar da comunhão da lei universal? Que outro partido tomar senão o preferir ao membro gangrenado e corrompido o corpo em conjunto que é são, e se algum contágio novo se esforça por envenenar já não uma pequena parte da Igreja, mas a Igreja inteira? Então sua grande preocupação será apegar-se à antiguidade, que, evidentemente, não pode ser seduzida por nenhuma verdade mentirosa!”   


Então nós estamos muito decididos a continuar nossa obra de restauração do sacerdócio católico passo a passo, persuadidos de que não podemos prestar melhor serviço à Igreja, ao papa, aos bispos e aos fiéis. Que nos deixem fazer a experiência da Tradição. 

Citações de Mons. Lefebvre (3° parte) Trechos do sermão de 30 de março de 1986 sobre Assis.

Citações de Mons. Lefebvre (3° parte) Trechos do sermão de 30 de março de 1986 sobre Assis.

Citações de Mons. Lefebvre  (3° parte)

Tradução: Rafael Horta
Capela Cristo Rei - Ipatinga

Trechos do sermão feito em Ecône em 30 de março de 1986, sobre Assis. Mons. Lefebvre considerou nessa época sobre se o Papa não seria Papa. Avec l’Immaculée aproveita para lembrar nossa posição sobre o sedevacantismo (cf. nota 1): a este respeito seguimos Mons. Tissier de Mallerais, em sua carta de 28 de fevereiro de 2009 ao padre Schoonbroodt. Publicamos igualmente um trecho desta carta na nota 2.

(...) Nós todos sabemos, caríssimos irmãos, caríssimos amigos, todos nós sabemos que estamos atualmente diante uma situação na Igreja que é bem mais que inquietante. Não é de agora que o problema existe. O problema existe desde o concílio particularmente e desde a aplicação das reformas do concílio. Ora, nós assistimos a uma espécie de escalada do ecumenismo praticado pelo Papa e pelos bispos.

Isto não é um mistério: é visto e sabido por todo mundo; é apresentado na televisão, por todos os meios de comunicação social. Todo mundo está bem consciente deste ecumenismo praticado hoje pelas autoridades da Igreja.

Então este ecumenismo nos coloca, estou certo disso, caros fiéis, caros amigos, um grave problema de consciência. Para nós, queremos e estamos decididos, e não penso que não tenhamos a intenção de mudar: queremos continuar católicos. E o catolicismo para nós significa: guardar a fé, os sacramentos, o Santo Sacrifício da Missa, o catecismo que a Igreja ensinou, legou, como herança preciosa durante dezenove séculos às gerações e gerações de católicos.


Nós mesmos recebemos em nossa infância, em nossa juventude, em nossa adolescência, em nossa idade madura, esta preciosa herança e nós a ela nos apegamos como a menina dos olhos, pensando que esta fé que nos foi legada e todos os meios de guardar a fé que nos foi legada, de conservar a graça em nós, são um meio necessário, absolutamente indispensável para salvar nossas almas, para ir ao Céu. Não é por outro motivo que queremos permanecer católicos: para salvar nossas almas.

Então, quando tive a ocasião de vos dizer na última quinta-feira, meus caros amigos, que temos a impressão de nos afastar sempre mais daqueles que praticam este ecumenismo insensato, contrário à fé católica – eu deveria dizer antes que, permanecendo católicos e decididos a permanecer católicos até o fim de nossos dias – são eles que vemos se afastar de nós, porque permanecemos católicos e que eles se afastam sempre um pouco mais da profissão desta fé católica que é o primeiro preceito de quem é batizado, professar a fé.

Não é por nada nem para nada que nossos padrinhos e madrinhas pronunciaram o Credo no dia de nosso batismo – e nós mesmos em seguida – pela confirmação que recebemos, repetimos, nós mesmos, este Credo, que nos prende definitivamente à fé católica. Ora, é um fato certo, conhecido daí em diante de todo o mundo, sobretudo desde a viajem do Papa ao Marrocos, ao Togo, às Índias e nos comunicados que a Santa Sé oficialmente publicou ainda nestes últimos dias, para dizer que o Papa tem a intenção de se encontrar com os judeus para rezar com eles, que o Papa tem a intenção de ir a Taize para rezar com os protestantes e que ele tinha a intenção – ele disse publicamente em São Paulo fora dos Muros – de fazer uma cerimonia que reuniria todas as religiões do mundo para rezar com elas em Assis, pela paz – por ocasião do Ano da Paz que foi proclamado pela O.N.U. e que deve ter lugar em 24 de outubro.

Eis os fatos. Vós os lestes nos jornais; vós os ouvistes na televisão, para aqueles que possuem televisão. Que devemos pensar? Que é a reação de nossa fé católica? É isto que conta, não nosso sentimento pessoal, uma espécie de impressão ou constatação qualquer. Trata-se de saber o que pensa a Igreja Católica;isso que nos ensinou; isso que nossa fé nos ensina diante dos fatos. É por isso que me permito vos ler algumas palavras bem curtas que recolhi no Dicionário de Direito Canônico do cônego Naz, que é oficialmente o comentário do Direito Canônico que é a Lei da Igreja desde os princípios. O Direito Canônico editado e publicado sobre a ordem do Papa Pio X e publica por Bento XV, o Direito Canônico é a expressão da Lei da Igreja durante dezenove séculos. O que diz ele a propósito disto que se chama a comunicatio in sacris, ou seja, a participação em um culto acatólico, participação em um culto não católico? Eu crio que esse é o assunto que nos ocupa; é isto que vemos: a participação de Papa e dos bispos em cultos não católicos.

O que diz a Igreja? A comunicatio in sacris, como diz a Igreja em latim: é proibida com os não católicos pelo cânon 1258, parágrafo 1, que diz:

“É absolutamente proibido aos fiéis de assistir ou de tomar parte ativamente nos cultos não católicos de qualquer maneira que seja”.

De qualquer maneira que seja. Eis como ele o explica – e o que faz é somente copiar o que se encontra no comentário oficial da doutrina da Igreja -:

“A participação é ativa e formal quando um católico participa de um culto heterodoxo, ou seja, não católico, com a intenção de honrar a Deus por este meio, de maneira não católica”.

Eu repito:

“A participação é ativa e formal quando um católico participa de um culto heterodoxo, ou seja, não católico, com a intenção de honrar a Deus por este meio, de maneira não católica”.


É exatamente isto diante que nos encontramos. Eu penso realmente que os bispos e que o Papa tem a intenção de honrar a Deus pelo culto não católico, o qual eles participam. Eu penso não me enganar.

Tal participação é proibida, sob qualquer forma – quo vis modo por que ela implica a profissão de uma falsa religião e por consequência a negação da fé católica.

“Não é permitido nem rezar, cem cantar, nem tocar órgãos em um templo herético ou cismático se associando aos fiéis que celebram seus cultos mesmo se os cantos ou termos das orações sejam ortodoxos”.

E não foi eu quem escreveu isso. Está escrito com todas as letras no Dicionário de Direito Canônico pelo cônego Naz, que faz parte oficial, que sempre foi considerado na Igreja como um comentário oficial e válido. “Aqueles que participam ativamente e formalmente nos cultos não católicos, são presumidos de aderir às crenças destes últimos. É por isso que o cânon 2316 os declara suspeitos de heresia se perseverarem são considerados realmente como hereges”.

Não sou eu quem disse isso, mais uma vez. Por que está legislação na Igreja? Para nos ajudar a praticar o primeiro mandamento que temos que professar nossa fé católica. Se professamos nossa fé católica, nos é impossível, inconcebível de confessar outra fé, outro culto. Por que rezando em outro culto fazemos profissão de honrar o deus que é invocado pelo culto, pelo culto de uma falsa religião. Uma falsa religião é honrar um falso deus; um deus que é a construção do espírito ou que é um ídolo qualquer, mas que não é o verdadeiro Deus. Como quereis que os judeus rezem ao verdadeiro Deus? Eles formalmente, essencialmente contra Nossa Senhor Jesus Cristo, desde precisamente o dia da Ressurreição de Nosso Senhor. E mesmo antes, por que O crucificaram. Mas de uma maneira quase oficial, despois da Ressurreição de Nosso Senhor. Eles se colocaram imediatamente a perseguir os discípulos de Nosso Senhor e isso durante séculos.

Como se pode rezar ao verdadeiro Deus com os judeus? Quem é Nosso Senhor Jesus Cristo? O Verbo de Deus. Ele é Deus. Nós só temos um Deus: Deus Pai, o Filho e o Espírito Santo e que há um só Senhor: Nosso Senhor Jesus Cristo. São os evangelistas que nos repetem isso sem cessar. Se, pois, se é oposto a Nosso Senhor Jesus Cristo, como o diz explicitamente são João em suas cartas: “Quem não tem o Filho, não tem o Pai. Aquele que não honra o Filho não honra o Pai”.

É normal, há somente um Deus em três Pessoas. Se uma dessas Pessoas é desonrada, é recusada, não se pode honrar as outras Pessoas, é impossível. É destruir a Santíssima Trindade. Por consequência, desonrando Nosso Senhor Jesus Cristo, os judeus desonram a Santíssima Trindade. Como podem eles rezar ao verdadeiro Deus? Não há outro Deus no Céu, que nos foi ensinado por nossa fé católica.


Eis a situação diante da qual nós nos encontramos. Eu não a invento. Não sou eu quem quero, eu desejaria morrer para não existir essa situação. Eu queria dar minha vida. Mas nos encontramos diante desta situação. Como a julgar segundo nossa fé, seguindo a doutrina da Igreja?

Nos encontramos verdadeiramente diante de um grave dilema, excessivamente grave, que eu creio jamais ter existido na Igreja:Que aquele que está sentado sobre a sé de Pedro, participa do culto destes falsos deuses. Eu creio não ter isso acontecido em outro momento da História da Igreja.

Qual é a conclusão que devemos tirar, talvez em alguns meses, diante destes atos repetidos de comunicação com os falsos cultos? Eu não sei. Eu me pergunto. Mas é possível que nós estejamos na obrigação de crer que este papa não é papa1. Por que parece, a primeira vista – eu não quero ainda dizer de uma maneira solene e formal – mas parece à primeira vista – que seja impossível que um papa seja herético publicamente e formalmente. Nosso Senhor lhe prometeu estar com ele, de guardar sua fé, de o guardar na fé. Como aquele o qual Nosso Senhor prometeu guardar na fé definitivamente e sem que ele possa errar na fé, poderia ele ser herético publicamente e quase apostatar?

Eis um problema que concerne a todos, que não concerne somente a mim. Se somos perseguidos, se agora nos tratam como gente quase fora da Igreja, por quê? Porque continuamos católicos. Porque queremos continuar católicos. Então constatamos que permanecendo católicos, estas personagens se afastam sempre mais da doutrina católica e por consequência de nós. Que quereis que eu faça? Absolutamente como os judeus se afastaram de Nosso Senhor. Eles se afastaram Dele sempre mais, até virarem inimigos jurados de Nosso Senhor Jesus Cristo, quando deveriam se unir a Nosso Senhor; quando todos eles deveriam seguir a Santíssima Virgem e os Apóstolos – a exceção feita a Judas é claro – mas todos os discípulos de Nosso Senhor, judeus, que se converteram a Nosso Senhor e que O seguiram. (...)

Notas:

1. Em seguida, Mons. Lefebvre rejeitou essa hipótese que o papa não seja papa. Entretanto, se ele a considerava é porque isso não é mal em si, doutrinalmente. Porque não se pode colocar na mesma condição um sedevacantista e um modernista. Um sedevacantista tem a fé. Um modernista não a tem. O sedevacantismo não é em si uma atitude condenável e cismática, pois o sedevacantismo continua apegado ao princípio da autoridade da Sé de Pedro. O blog Avec l’Immaculée (Com a Imaculada) não é sedevacantista e pensa que eles se enganam. Entretanto, é possível ser um bom católico e ser sedevacantista. Mons. Fellay não cessa de apresentar o sedevacantismo como um espantalho e ele não tem razão, pois, em contrapartida, isso o aproxima dos modernistas que, são muito perigosos, pois são hereges. Face ao sedevacantismo, nosso blog segue a posição de Mons. Tissier de Mallerais: cf. carta de 28/02/2009 ao padre Schoondroodt2: nós não somos, mas não condenamos, mas isso não leva a excessos tal como declarar, como fazem certos sedevacantistas, que a FSSPX é herética e que seria um pecado ir a sua Missa. Neste caso, pensamos que o sedevacantismo passa a ser excessivo e perigoso. O bom combate não deve consistir em demonstrar uma opinião teológica discutível. O bom combate consiste em lutar contra o modernismo recordando a doutrina tradicional.

2. Carta de Mons. Tissier de Mallerais em 28 de fevereiro de 2009 ao padre Schoonbroodt:

Ecône, 28 de fevereiro de 2009.

Senhor padre,

Vossa carta de 25 de fevereiro me chegou a mãos, eu a li assim que cheguei dos Estados Unidos. (...)

Caro padre, eu admito que um padre, fiéis, tenham dúvidas sobre a validade de um papa tal como João Paulo II ou Bento XVI; Mons. Lefebvre não o teve por vezes? Mas não mais que nosso venerável fundador, eu não quero fazer desta dúvida legítima um cavalo de batalha ou uma justificação para minha ação. Minha ação se funda inteiramente sobre o dever do combate da fé, segundo São Paulo. Quanto àquele que se encontra em Roma, se há dúvida, uma vez que a presunção é a favor dos que possuem, uma vez que os argumentos dos sedevacantistas não são admitidos pela maioria dos católicos da Tradição, é preciso aplicar o cânon 209 “in dubio positivo... jurisdictionem supplet Ecclesia pro fors tum externo tum interno”. É por isso que a FSSPX mantem relações com Bento XVI, certamente não para abraçar seus erros, mas para o converter.


Queira aceitar padre, seguramente, apesar de todo meu religioso devotamento em Nosso Senhor Jesus Cristo.



segunda-feira, 17 de junho de 2013

4º Domingo depois de Pentecostes

Revmo. Padre René C. Trincado.

Ensina Santo Agostinho que as naves mencionadas no Evangelho de hoje representam a Igreja, que se encherá de peixes bons e maus até o fim do mundo. As redes se rompem por causa de uma grande multidão de homens carnais que rasgarão a Igreja com heresias e cismas.

São Beda, por sua parte, disse que as naves que correm perigo de afundar por causa dos mesmos peixes, figuram a Igreja que ameaçará afundar por causa dos maus cristãos, que são seus inimigos internos, segundo que profetizou São Paulo em 2º Timóteo: “Há de saber que nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. Porque os homens serão egoístas e amadores do dinheiro, jactanciosos, soberbos, difamadores, rebeldes com seus pais, mal agradecidos, ímpios, desumanos, implacáveis, caluniadores, desenfreados, cruéis, inimigos de todo bem, traidores, temerários, obcecados, mais amantes dos prazeres que de Deus; E ainda que farão ostentação de piedade… se oporão a verdade… homens de inteligência corrompida, réprobos no que se refere a fé”.

Santo Ambrósio explica que a barca está ameaçada por ter a bordo Judas, e acrescenta: “evitemos o trato com o traidor, não seja que muitos vacilemos, empurrados por somente um”.

Disse São Pedro: “Mestre, toda a noite estivemos trabalhando, sem ter pego nada”; porque – comenta Santo Ambrósio – o fruto que há de obter-se por meio da pregação não depende dos homens, senão de Deus. Para conseguir esta pesca milagrosa, Nosso Senhor manda São Pedro conduzir as naves mar adentro e este responde que em seu nome (no Nome de Cristo) as redes se encherão. Há que confiar somente em Deus.

Nada pescava Pedro nesta noite porque seus esforços eram puramente humanos. Essa noite infrutuosa é a noite da atual crise da Igreja: recorrer a meios humanos desprezando os divinos foi, precisamente, o intento do Concílio Vaticano II. Desde o Vaticano II a Igreja se encontra em uma espantosa noite de já longos 50 anos. Noite da apostasia da cristandade por não lançar as redes no Nome de Cristo, senão no nome do mesmo homem; noite fria, tormentosa e muito escura, por colocar a confiança no homem e não em Deus. Se leem, no Profeta Jeremias, estas graves e sempre atuais palavras: “Assim disse o Senhor: Maldito o homem que confia no homem e faz da carne sua fortaleza e seu coração se aparta do Senhor” (Jer 17, 5)

Tragicamente, essa obscuridade finalmente alcançou a FSSPX. O demônio tem também suas redes, e havendo caído nelas, confiando mais no nada do homem que no poder de Deus, a congregação está hoje disposta a apoiar-se adulteramente nos liberais moderados para conter os liberais extremos. As autoridades da congregação estão se comportando como verdadeiros cegos guias de cegos, segundo o demonstra, de modo irrefutável, o fato de haverem contratado, recentemente, a um ateu expert em marketing para que este adapte a imagem corporativa da congregação a gosto dos liberais. Esta gravíssima infidelidade, este inacreditável despropósito foi revelado recentemente pelo padre Girouard, da Resistência, e está provado pelas palavras que o Superior do Distrito do Canadá, Pe. Wegner, escreveu em janeiro de 2012: “Uma reconhecida empresa européia de imagem corporativa, desenvolveu um estilo corporativo para a Fraternidade (…) O estilo é novo e fresco, atrativo para velhos e jovens. Uma (…) característica deste novo estilo é sua positividade. Desprovida de qualquer elemento agressivo e impositivo, nos compromete com uma maneira positiva de escrever (…)” (“Angelus”, janeiro de 2012). Se trata, então de recorrer a uns ateus que nos ensinaram o modo de projetar uma imagem agradável aos homens. “Adúlteros! Não sabeis que a amizade do mundo é inimizade com Deus? Qualquer um pois que quiser ser amigo do mundo, se constitue em inimigo de Deus” (Tg. 4, 4). Deus nos livre!

Sem dúvida se vive também na Tradição essa “desorientação diabólica” de que em algumas ocasiões falava a Irmã Lúcia de Fátima. Para proteger nossas almas disto, nunca esqueçamos que Cristo mandou a São Pedro ir mar adentro, para que lá, no profundo, fossem lançadas redes em seu Nome. É necessário empregar muitos e grandes esforços em defesa da fé e da Igreja, fazer o que pudermos para manter vivo o autêntico espírito católico, que é essencialmente batalhador e conquistador, mas não é menos necessário ir até o profundo pelos caminhos do espírito, pela união da alma com Deus que se faz mediante a oração, a que consiste em elevar a alma a Deus, a esse Deus que mora no profundo da alma em estado de graça. Sem oração não podemos esperar nada de Deus, mas com a oração devemos esperar tudo dEle.

Santo Agostinho compara a pesca do Evangelho de hoje com outra pesca milagrosa, essa na qual os apóstolos recolhem 153 peixes. Não é casualidade que o Rosário completo (com suas 3 coroas, com seus 15 mistérios) tenha, exatamente, 153 Ave Marias. Bom, pelo menos até que os modernistas ousaram “corrigi-lo”, acrescentando os chamados “mistérios da luz”.

Estimados fiéis: Confiemos em Deus, creiamos no divino poder do Rosário! Empunhando diariamente – e idealmente com seus 15 mistérios – o Santo Rosário, arma toda poderosa; seremos capazes de lançar uma e outra vez e cada vez em maiores profundidades de caridade, as redes santas que são nossas obras feitas para cumprir a vontade de Deus, nossas vidas vividas no “Nome de Cristo”.




domingo, 9 de junho de 2013

Sermão - 3º Domingo depois de Pentecostes

Revmo. Padre René C. Trincado.

Estimados irmãos: a epístola de hoje diz: Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. (1 Pe. 5,8-9)

Sede sóbrios e vigiai: para nos defender das inumeráveis astúcias do demônio, devemos viver com temperança e vigiar, quer dizer, ser prudentes, estar atentos, usar a inteligência, ser reflexivo, ter um cuidado constante. E, por certo, também devemos orar, pois Cristo disse vigiai e orai para que não entreis em tentação (Mt 23, 41; Mc 14, 38)

Dotado de uma inteligência superior, o maligno de ordinário se disfarça de anjo de luz. Intenta arrastar-nos ao mal sob pretextos ou aparências de bem. Quanto mais reais parecem esses disfarces de bondade, mais perigosos se voltam os enganos do demônio.   

Neste contexto, o desejo de chegar a um acordo com os modernistas destruidores da Igreja, nova prioridade da FSSPX, constitui uma ilusão perigosíssima, porque submeter a Tradição ao poder dos liberais é em uma palavra – suicídio. O disse claramente Mons. Lefebvre depois de retratar o protocolo de acordo de 1988.

Os disfarces, as aparências de bem, as falsas razões, estão ante nossos olhos: “estando dentro da estrutura oficial muito mais almas viriam a nós, poderíamos fazer muito bem”. “Pedir que essa nefasta etiqueta [de “excomungados”] seja removida, equivale a restituir a Tradição seu nome glorioso” (Palavras do Superior Geral, Cor Unum nº 85, 10-06) “A situação em que estamos é como a situação ao fim do inverno: se vêem os brotos. A primavera está para vir” (Mons. Fellay, 8-10-12). “A condição do capítulo de 2006, que dizia que não devemos buscar uma solução prática antes da doutrinal, é em teoria muito clara, mas na prática [é] impraticável” (id.).”... me disseram que a primeira coisa que fará sendo reconhecidos, é que se abrirá em Roma um seminário, um instituto para o estudo do Concílio... também me disseram: em pouco tempo nos chamarão até as congregações romanas. São gente que sabe que o futuro está na Tradição...” (id) “O papa expressa uma vontade legítima com respeito a nós, que é boa” (carta de Mons. Fellay aos outros três bispos de 14-4-12). “Se Nosso Senhor nos dirige, nos dará também os meios para continuar nossa obra” (id.) “O Bom Deus não nos abandonaria no momento mais crucial” (id.). “Monsenhor Lefebvre não haveria duvidado em aceitar o que nos propõem (id.)”.

O acordo suicida não se firmou porque os liberais romanos exigiram mais do que o Superior Geral estava disposto a ceder. Este, como se constata ao ler a declaração que apresentou ao Vaticano em abril do ano passado, cedeu de tal maneira que sua contraproposta, longe de constituir um ato de comprovação dos oferecimentos de Roma – como disse reiteradamente - implicou uma traição objetiva a Fraternidade, ao legado de Mons. Lefebvre, a fé, a Igreja e a Cristo.

Logo dessa tentativa falida de selar a paz com os inimigos de Cristo, se levou a cabo um Capítulo Geral, em cujas atas se lê em caso de reconhecimento canônico, a congregação porá certas condições a Roma. A primeira das condições necessárias ou sine qua non é a seguinte:

 “A liberdade de conservar, transmitir e ensinar a sã doutrina do Magistério constante da Igreja e da verdade imutável da Tradição Divina; a liberdade de defender, corrigir, repreender, inclusive publicamente, os promotores dos erros ou as inovações do modernismo, do liberalismo, do concílio Vaticano II e de suas consequências” ( sic na tradução oficial)

Sobre esta condição, em uma conferência dada em 8 de outubro do ano passado na Argentina, o Superior Geral explicava o seguinte: “Dizer que temos direito a atacar os erros significa que a autoridade está de acordo, significa uma conversão. É muito claro! Significa que a cabeça não é liberal porque um liberal, um modernista, não pode permitir que se ataque o liberalismo”. Ouvimos outros acordistas expressarem-se em idênticos termos.

Antes de tudo há que dizer que diante de umas autoridades romanas convertidas do modernismo ao autêntico catolicismo, ante um Papa que deixa de ser liberal e passa a ser antiliberal (porque neste não cabe uma neutralidade ou meio termo: ou se é liberal ou se é antiliberal); não há direito a por condições, a fazer exigências ou a negociar acordos: simplesmente se deve obedecer. Então, por que há outras cinco condições além desta?

O segundo que há que observar é que é falso que um Papa demonstraria haver abandonado o liberalismo por tolerar que se contradiga sua doutrina. Acaso não é o liberalismo uma ideologia contraditória? Não promovem os liberais essa forma de demencial libertinagem chamada “liberdade de expressão”? Pode não ser liberal um Papa que aceite que uma congregação a ele submetida contradiga o ensinamento oficial, magistério papal incluído? Não seria um perfeito liberal?

Portanto, a primeira e fundamental condição posta pelo Capítulo de Julho está formulada, a medida, para um Papa liberal, e essas seis condições fazem possível um acordo com os modernistas em qualquer momento. São uma armadilha.

Estimados irmãos: resistamos ao diabo firmes, inteiramente intransigentes na fé. “Se tratando da verdade religiosa, ensinada e revelada pelo mesmo Deus – diz o grande bispo antiliberal Ezequiel Moreno – se Ele é nosso futuro eterno e a salvação de nossa alma, não há transação possível. Me encontrareis inquebrantável e haverei de ser. A condição de toda verdade é ser intolerante; mas a verdade religiosa, sendo a mais absoluta e a mais importante de todas as verdades, é por consequência também a mais intolerante.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Citações de Mons. Lefebvre (3° parte) Trechos do sermão de 30 de março de 1986 sobre Assis.

Citações de Mons. Lefebvre  (3° parte)

Tradução: Rafael Horta
Capela Cristo Rei - Ipatinga

Trechos do sermão feito em Ecône em 30 de março de 1986, sobre Assis. Mons. Lefebvre considerou nessa época sobre se o Papa não seria Papa. Avec l’Immaculée aproveita para lembrar nossa posição sobre o sedevacantismo (cf. nota 1): a este respeito seguimos Mons. Tissier de Mallerais, em sua carta de 28 de fevereiro de 2009 ao padre Schoonbroodt. Publicamos igualmente um trecho desta carta na nota 2.

(...) Nós todos sabemos, caríssimos irmãos, caríssimos amigos, todos nós sabemos que estamos atualmente diante uma situação na Igreja que é bem mais que inquietante. Não é de agora que o problema existe. O problema existe desde o concílio particularmente e desde a aplicação das reformas do concílio. Ora, nós assistimos a uma espécie de escalada do ecumenismo praticado pelo Papa e pelos bispos.

Isto não é um mistério: é visto e sabido por todo mundo; é apresentado na televisão, por todos os meios de comunicação social. Todo mundo está bem consciente deste ecumenismo praticado hoje pelas autoridades da Igreja.

Então este ecumenismo nos coloca, estou certo disso, caros fiéis, caros amigos, um grave problema de consciência. Para nós, queremos e estamos decididos, e não penso que não tenhamos a intenção de mudar: queremos continuar católicos. E o catolicismo para nós significa: guardar a fé, os sacramentos, o Santo Sacrifício da Missa, o catecismo que a Igreja ensinou, legou, como herança preciosa durante dezenove séculos às gerações e gerações de católicos.


Nós mesmos recebemos em nossa infância, em nossa juventude, em nossa adolescência, em nossa idade madura, esta preciosa herança e nós a ela nos apegamos como a menina dos olhos, pensando que esta fé que nos foi legada e todos os meios de guardar a fé que nos foi legada, de conservar a graça em nós, são um meio necessário, absolutamente indispensável para salvar nossas almas, para ir ao Céu. Não é por outro motivo que queremos permanecer católicos: para salvar nossas almas.

Então, quando tive a ocasião de vos dizer na última quinta-feira, meus caros amigos, que temos a impressão de nos afastar sempre mais daqueles que praticam este ecumenismo insensato, contrário à fé católica – eu deveria dizer antes que, permanecendo católicos e decididos a permanecer católicos até o fim de nossos dias – são eles que vemos se afastar de nós, porque permanecemos católicos e que eles se afastam sempre um pouco mais da profissão desta fé católica que é o primeiro preceito de quem é batizado, professar a fé.

Não é por nada nem para nada que nossos padrinhos e madrinhas pronunciaram o Credo no dia de nosso batismo – e nós mesmos em seguida – pela confirmação que recebemos, repetimos, nós mesmos, este Credo, que nos prende definitivamente à fé católica. Ora, é um fato certo, conhecido daí em diante de todo o mundo, sobretudo desde a viajem do Papa ao Marrocos, ao Togo, às Índias e nos comunicados que a Santa Sé oficialmente publicou ainda nestes últimos dias, para dizer que o Papa tem a intenção de se encontrar com os judeus para rezar com eles, que o Papa tem a intenção de ir a Taize para rezar com os protestantes e que ele tinha a intenção – ele disse publicamente em São Paulo fora dos Muros – de fazer uma cerimonia que reuniria todas as religiões do mundo para rezar com elas em Assis, pela paz – por ocasião do Ano da Paz que foi proclamado pela O.N.U. e que deve ter lugar em 24 de outubro.

Eis os fatos. Vós os lestes nos jornais; vós os ouvistes na televisão, para aqueles que possuem televisão. Que devemos pensar? Que é a reação de nossa fé católica? É isto que conta, não nosso sentimento pessoal, uma espécie de impressão ou constatação qualquer. Trata-se de saber o que pensa a Igreja Católica;isso que nos ensinou; isso que nossa fé nos ensina diante dos fatos. É por isso que me permito vos ler algumas palavras bem curtas que recolhi no Dicionário de Direito Canônico do cônego Naz, que é oficialmente o comentário do Direito Canônico que é a Lei da Igreja desde os princípios. O Direito Canônico editado e publicado sobre a ordem do Papa Pio X e publica por Bento XV, o Direito Canônico é a expressão da Lei da Igreja durante dezenove séculos. O que diz ele a propósito disto que se chama a comunicatio in sacris, ou seja, a participação em um culto acatólico, participação em um culto não católico? Eu crio que esse é o assunto que nos ocupa; é isto que vemos: a participação de Papa e dos bispos em cultos não católicos.

O que diz a Igreja? A comunicatio in sacris, como diz a Igreja em latim: é proibida com os não católicos pelo cânon 1258, parágrafo 1, que diz:

“É absolutamente proibido aos fiéis de assistir ou de tomar parte ativamente nos cultos não católicos de qualquer maneira que seja”.

De qualquer maneira que seja. Eis como ele o explica – e o que faz é somente copiar o que se encontra no comentário oficial da doutrina da Igreja -:

“A participação é ativa e formal quando um católico participa de um culto heterodoxo, ou seja, não católico, com a intenção de honrar a Deus por este meio, de maneira não católica”.

Eu repito:

“A participação é ativa e formal quando um católico participa de um culto heterodoxo, ou seja, não católico, com a intenção de honrar a Deus por este meio, de maneira não católica”.


É exatamente isto diante que nos encontramos. Eu penso realmente que os bispos e que o Papa tem a intenção de honrar a Deus pelo culto não católico, o qual eles participam. Eu penso não me enganar.

Tal participação é proibida, sob qualquer forma – quo vis modo por que ela implica a profissão de uma falsa religião e por consequência a negação da fé católica.

“Não é permitido nem rezar, cem cantar, nem tocar órgãos em um templo herético ou cismático se associando aos fiéis que celebram seus cultos mesmo se os cantos ou termos das orações sejam ortodoxos”.

E não foi eu quem escreveu isso. Está escrito com todas as letras no Dicionário de Direito Canônico pelo cônego Naz, que faz parte oficial, que sempre foi considerado na Igreja como um comentário oficial e válido. “Aqueles que participam ativamente e formalmente nos cultos não católicos, são presumidos de aderir às crenças destes últimos. É por isso que o cânon 2316 os declara suspeitos de heresia se perseverarem são considerados realmente como hereges”.

Não sou eu quem disse isso, mais uma vez. Por que está legislação na Igreja? Para nos ajudar a praticar o primeiro mandamento que temos que professar nossa fé católica. Se professamos nossa fé católica, nos é impossível, inconcebível de confessar outra fé, outro culto. Por que rezando em outro culto fazemos profissão de honrar o deus que é invocado pelo culto, pelo culto de uma falsa religião. Uma falsa religião é honrar um falso deus; um deus que é a construção do espírito ou que é um ídolo qualquer, mas que não é o verdadeiro Deus. Como quereis que os judeus rezem ao verdadeiro Deus? Eles formalmente, essencialmente contra Nossa Senhor Jesus Cristo, desde precisamente o dia da Ressurreição de Nosso Senhor. E mesmo antes, por que O crucificaram. Mas de uma maneira quase oficial, despois da Ressurreição de Nosso Senhor. Eles se colocaram imediatamente a perseguir os discípulos de Nosso Senhor e isso durante séculos.

Como se pode rezar ao verdadeiro Deus com os judeus? Quem é Nosso Senhor Jesus Cristo? O Verbo de Deus. Ele é Deus. Nós só temos um Deus: Deus Pai, o Filho e o Espírito Santo e que há um só Senhor: Nosso Senhor Jesus Cristo. São os evangelistas que nos repetem isso sem cessar. Se, pois, se é oposto a Nosso Senhor Jesus Cristo, como o diz explicitamente são João em suas cartas: “Quem não tem o Filho, não tem o Pai. Aquele que não honra o Filho não honra o Pai”.

É normal, há somente um Deus em três Pessoas. Se uma dessas Pessoas é desonrada, é recusada, não se pode honrar as outras Pessoas, é impossível. É destruir a Santíssima Trindade. Por consequência, desonrando Nosso Senhor Jesus Cristo, os judeus desonram a Santíssima Trindade. Como podem eles rezar ao verdadeiro Deus? Não há outro Deus no Céu, que nos foi ensinado por nossa fé católica.


Eis a situação diante da qual nós nos encontramos. Eu não a invento. Não sou eu quem quero, eu desejaria morrer para não existir essa situação. Eu queria dar minha vida. Mas nos encontramos diante desta situação. Como a julgar segundo nossa fé, seguindo a doutrina da Igreja?

Nos encontramos verdadeiramente diante de um grave dilema, excessivamente grave, que eu creio jamais ter existido na Igreja:Que aquele que está sentado sobre a sé de Pedro, participa do culto destes falsos deuses. Eu creio não ter isso acontecido em outro momento da História da Igreja.

Qual é a conclusão que devemos tirar, talvez em alguns meses, diante destes atos repetidos de comunicação com os falsos cultos? Eu não sei. Eu me pergunto. Mas é possível que nós estejamos na obrigação de crer que este papa não é papa1. Por que parece, a primeira vista – eu não quero ainda dizer de uma maneira solene e formal – mas parece à primeira vista – que seja impossível que um papa seja herético publicamente e formalmente. Nosso Senhor lhe prometeu estar com ele, de guardar sua fé, de o guardar na fé. Como aquele o qual Nosso Senhor prometeu guardar na fé definitivamente e sem que ele possa errar na fé, poderia ele ser herético publicamente e quase apostatar?

Eis um problema que concerne a todos, que não concerne somente a mim. Se somos perseguidos, se agora nos tratam como gente quase fora da Igreja, por quê? Porque continuamos católicos. Porque queremos continuar católicos. Então constatamos que permanecendo católicos, estas personagens se afastam sempre mais da doutrina católica e por consequência de nós. Que quereis que eu faça? Absolutamente como os judeus se afastaram de Nosso Senhor. Eles se afastaram Dele sempre mais, até virarem inimigos jurados de Nosso Senhor Jesus Cristo, quando deveriam se unir a Nosso Senhor; quando todos eles deveriam seguir a Santíssima Virgem e os Apóstolos – a exceção feita a Judas é claro – mas todos os discípulos de Nosso Senhor, judeus, que se converteram a Nosso Senhor e que O seguiram. (...)

Notas:

1. Em seguida, Mons. Lefebvre rejeitou essa hipótese que o papa não seja papa. Entretanto, se ele a considerava é porque isso não é mal em si, doutrinalmente. Porque não se pode colocar na mesma condição um sedevacantista e um modernista. Um sedevacantista tem a fé. Um modernista não a tem. O sedevacantismo não é em si uma atitude condenável e cismática, pois o sedevacantismo continua apegado ao princípio da autoridade da Sé de Pedro. O blog Avec l’Immaculée (Com a Imaculada) não é sedevacantista e pensa que eles se enganam. Entretanto, é possível ser um bom católico e ser sedevacantista. Mons. Fellay não cessa de apresentar o sedevacantismo como um espantalho e ele não tem razão, pois, em contrapartida, isso o aproxima dos modernistas que, são muito perigosos, pois são hereges. Face ao sedevacantismo, nosso blog segue a posição de Mons. Tissier de Mallerais: cf. carta de 28/02/2009 ao padre Schoondroodt2: nós não somos, mas não condenamos, mas isso não leva a excessos tal como declarar, como fazem certos sedevacantistas, que a FSSPX é herética e que seria um pecado ir a sua Missa. Neste caso, pensamos que o sedevacantismo passa a ser excessivo e perigoso. O bom combate não deve consistir em demonstrar uma opinião teológica discutível. O bom combate consiste em lutar contra o modernismo recordando a doutrina tradicional.

2. Carta de Mons. Tissier de Mallerais em 28 de fevereiro de 2009 ao padre Schoonbroodt:

Ecône, 28 de fevereiro de 2009.

Senhor padre,

Vossa carta de 25 de fevereiro me chegou a mãos, eu a li assim que cheguei dos Estados Unidos. (...)

Caro padre, eu admito que um padre, fiéis, tenham dúvidas sobre a validade de um papa tal como João Paulo II ou Bento XVI; Mons. Lefebvre não o teve por vezes? Mas não mais que nosso venerável fundador, eu não quero fazer desta dúvida legítima um cavalo de batalha ou uma justificação para minha ação. Minha ação se funda inteiramente sobre o dever do combate da fé, segundo São Paulo. Quanto àquele que se encontra em Roma, se há dúvida, uma vez que a presunção é a favor dos que possuem, uma vez que os argumentos dos sedevacantistas não são admitidos pela maioria dos católicos da Tradição, é preciso aplicar o cânon 209 “in dubio positivo... jurisdictionem supplet Ecclesia pro fors tum externo tum interno”. É por isso que a FSSPX mantem relações com Bento XVI, certamente não para abraçar seus erros, mas para o converter.


Queira aceitar padre, seguramente, apesar de todo meu religioso devotamento em Nosso Senhor Jesus Cristo.