sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Coração de Jesus, Rei e Centro dos corações - 1ª Sexta-feira do mês


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Encontrava-se eu um dia em um magnífico salão: em cima do piano de cauda, num quadro muito rico, presidia como Rei o Coração de Jesus. A meu lado, uma pessoa importante, o chefe de família, homem muito inteligente, muito digno, muito estimado, almirante de valor; mas afastado de Deus e de toda prática religiosa desde... sempre. Ele era no entanto, desde a Entronização, meu grande amigo. Tinha consentido em receber muito solenemente o Mestre adorável, para ser agradável aos seus, cristãos fervorosos.

Eis-nos pois, os três amigos, a sós. Digo os três amigos, sim: o Rei, o almirante e eu.

Minha visita não tinha outro fim senão tomar de assalto aquela alma. Depois das primeiras frases antes banais, invocando interiormente a divina misericórdia, dirigi bem para o coração o primeiro golpe em meu amigo:

- Sabe o senhor, almirante, para que vim esta noite?
- Pois bem, para me dar o prazer de vê-lo e repousar-se um pouco em minha casa, em sua casa.
- Oh! não...; mas para um negócio muito mais importante: eu venho decidido a lhe dar a absolvição!
- Como, disse ele sorrindo e pensando que eu estava brincando, a absolvição! Não compreendo o que o senhor quer dizer.
- Sim, a absolvição, como o senhor está ouvindo, a absolvição, naturalmente depois de tê-lo confessado!

O almirante riu de todo coração.

"O senhor vem então assim decidido, armado para a guerra?"

E riu de novo.

"Sim, perfeitamente decidido, não estou brincando, caro almirante. Olhe para este quadro; é bem o vosso e o meu Rei, é o Legislador dos grandes e dos pequenos, dos almirantes e dos marinheiros, todos são iguais diante d'Ele ... É o Rei de sua mulher e todos aqui o adoram de joelhos, todos vivem sua fé e observam suas leis, todos exceto ... o senhor, caro almirante! ...Vejamos, em seu nome, em nome de seu Coração que tanto, tanto o amou, e que me envia para oferecer-lhe a sua misericórdia, diga sim, reconheça-O de joelhos como seu Mestre, deixe-me vencê-lo pelo seu Coração ... O senhor vai confessar-se, não é?

Ele não ria mais, e mudando de tom:
- Mas, se a morte viesse nesta mesma noite, será que o senhor Lhe diria para voltar dentro de um ou dois meses, porque hoje o senhor não está preparado? Pois bem, não é a morte, é a vida, é Jesus que bate, que pede, que manda hoje: oh! almirante, não Lhe diga não, eu lhe peço em nome de seu Coração que o ama, queira cair de joelhos".

Ele estava pálido, muito emocionado, silencioso.

"Em nome do seu Coração que lhe oferece o perdão e o céu, diga sim, almirante, seja soldado corajoso, deixe-se vencer por esse grande Rei, Rei de amor, ponha-se de joelhos!"

Está feito, e ele chora! Levanto-me, abraço-o tão emocionado quanto ele "Consummatum est" e, depois de uma preparação fervorosa, admirável, de uns quinze dias, o grande dia chegou. Betânia, toda inteira desta vez, aproximou-se da Sagrada Mesa. O mais feliz de todos foi o grande soldado, vinte vezes condecorado, vencido pelo seu Salvador e que chorava de alegria. 

Ele foi mais que fiel, fervoroso até a morte. Morreu nos meus braços, alguns anos depois, murmurando: "Jesus, eu te amo porque és Jesus... venha a nós o teu reino!" 

Jesus, Rei de amor
Padre Mateo Crawley- Boevey


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