domingo, 31 de outubro de 1999


O Cisma do Vaticano II
Cismáticos, define o Código de Direito Canônico, são os fiéis que se separaram do corpo da Igreja, constituído pelo Papa e os bispos em união com ele. Vão mais diretamente contra a Caridade, do que contra a Fé. Assim, antes do primeiro concílio do Vaticano, poder-se-ia cogitar de um que chegasse à heresia. Exemplo histórico é o fato constituído pela"petite église", formada pelos bispos e fiéis que não acataram a decisão de Pio VII, quando, cedendo às exigências de Napoleão, destituiu todos os bispos fiéis à monarquia de Luiz XVI. Esses bispos e fiéis não aderiram a nenhum erro doutrinário, mas não acataram a decisão do Papa. Afastaram-se, apenas, do Papa e dos bispos que com o Papa se mantiveram unidos. Foi um Cisma. Não foi uma heresia.
Visto o primeiro concílio do Vaticano ter definido como dogma de Fé que o Romano Pontífice tem, na Igreja, o poder supremo de Jurisdição sobre bispos e fiéis, não há mais possibilidade de se figurar um cisma que não seja também heresia, que não rejeite uma verdade de Fé.
No entanto, como a heresia, o cisma, em geral, envolve também discordância doutrinária. É assim que se fala no cisma de Santo Hipólito, no século III, quando o Santo recusou aceitar a autoridade do Papa São Calixto. Cisma, então poderia definir-se um corpo de doutrina que se apresentaria como lote doutrinário da Igreja, e que, na realidade, se afastaria da pureza e integridade dos ensinamentos da mesma Igreja.
No caso do Vaticano II, este poderá e deverá ser apontado como cismático, desde que se mostre que, nos seus textos autênticos, há ensinamentos destoantes da Fé tradicional da Igreja.
Ora semelhante dissonância foi notada, mesmo durante os trabalhos conciliares. É, aliás, de todos conhecida a liberdade religiosa, reivindicada pelo Concílio como direito natural, mesmo para aqueles que não cumprem o dever de investigar qual a verdadeira religião. Em outras palavras, o Concílio admite que semelhante direito seja reconhecido por todos os Estados. Tal ensinamento do Vaticano é diametralmente oposto à doutrina tradicional, renovada por Pio IX na encíclica "Quanta Cura".
Esse é um exemplo. Há muito mais.
Diante dessa posição cismática do Vaticano II, o bem das almas impõe a absoluta necessidade de eliminá-la antes de cuidar de eventuais outras, que possam aparecer. Aliás, o Vaticano II não poderá ser apresentado como concílio da Igreja Católica.

Monitor Campista, 23/02/1986)

Sobre a Sagração de Bispos
Conferida por S. Exa. o Arcebispo Dom Marcel Lefebvre
ESCLARECIMENTO
1 - Necessidade
Diante da crise atual sem precedentes na história da Igreja, crise de Fé e de Moral, diante do progressismo que nada mais é do que o Modernismo instalado até nos altos postos da Igreja, diante da lamentável apostasia geral de padres e bispos, que não só não cumprem sua missão de nos transmitir a verdadeira doutrina mas levam as almas para o caminho da perdição, é da maior necessidade e urgência haver bispos fiéis à Tradição.
Necessário para a guarda e transmissão pura e íntegra do depósito da Fé e para a ordenação de sacerdotes que garantam a continuidade do Santo Sacrifício da Missa e dos Sacramentos.
Urgente porque há mais de vinte anos que esta crise perdura, sem nenhuma perspectiva de mudança da parte das autoridades atuais: não se pode esperar mais.
Ensinam os teólogos (cf. Don Adrian Gréa in "Ação extraordinária do Episcopado", pág. 240-264) que, para se realizar uma sagração episcopal sem o mandato pontifício, é necessário que se verifiquem duas condições:
1ª Que haja uma situação que ponha em perigo a própria existência da religião em uma parte notável da cristandade.
2ª Que haja uma impossibilidade de se recorrer às autoridades competentes.
Ora: 1º - A crise de Fé e identidade hoje é universal: a apostasia grassa em todos os campos e setores da Igreja. Como disse Dom Manuel Pestana, bispo de Anápolis, apesar de não ser totalmente da nossa posição, em recente entrevista (JB de 11/3/88): "Creio que já ultrapassamos os limites do tolerável... Não é apenas a fumaça de satanás que entrou na Igreja, por alguma fenda oculta, como lamentava o Santo Padre Paulo VI: é, transpondo triunfalmente os portões, o diabo inteiro, presente nos mais altos postos, através de seus fiéis seguidores".
2º - A impossibilidade de se recorrer às autoridades competentes é evidente. Com efeito, constata-se dolorosamente a cooperação de Roma com a destruição geral da Fé católica. Como disse Dom Lefebvre (Sermão de 29/6/87), Roma promove atualmente o Panteon de todas as religiões, como o fizeram os imperadores pagãos. Como recorrer a Roma quando é Roma que entretém o mal?! Se foi a Roma atual que promoveu o famigerado encontro de todas as religiões em Assis, convidando-as inclusive a invocarem os seus falsos deuses, o que veio a ser, incontestavelmente, uma injúria a Deus, uma negação da necessidade da Redenção, uma falta de justiça e caridade para com os infiéis, um escândalo para os católicos e uma traição à missão da Igreja e de Pedro, como recorrer a ela para manter a Tradição?! Cumpre-se tristemente a profecia de Nossa Senhora em La Salete: "Roma perderá a Fé e se tornará a sede do Anti-Cristo".
Fazemos nossas as palavras de S. Exa. D. Lefebvre: "Nós aderimos, com todo o nosso coração, com toda a nossa alma à Roma Católica, guardiã da Fé católica e das tradições necessárias à manutenção desta mesma Fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade. Nós recusamos, ao contrário, e sempre recusamos seguir a Roma de tendência neo-modernista e neo-protestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II e, depois do Concílio, em todas as reformas dele provenientes".

2 - O Acordo
Sempre desejamos a paz e a união. Foi o próprio D. Lefebvre que pediu a Roma um visitador para a sua obra. Mas o acordo desejado só se poderia realizar com a identidade da doutrina tradicional da Igreja. Caso contrário, seria frágil e superficial.
A Santa Sé enviou um visitador na pessoa do Cardeal Eduardo Gagnon. Depois de uma minuciosa visita à obra da Fraternidade São Pio X de D. Lefebvre, o Cardeal só teve elogios ao Arcebispo e à sua obra:
"É maravilhoso. É sobre estas bases que se restaurará a Igreja. Guardamos uma grande admiração pela piedade das pessoas, pela atualidade e importância das obras sobretudo no que diz respeito à catequese, a formação, a administração dos sacramentos" (cf. Fideliter nº 62, páginas 29 e 31).
Ora, esta obra sacerdotal, tão elogiada e abençoada pelo enviado do Papa, obra que conta com centenas de padres e seminaristas e um sem número de religiosas, priorados, escolas, seminários, etc., só pode subsistir se lhe forem dados bispos conformes à Tradição.
Por que lhe foi negada por Roma a autorização para sagrar? O motivo é sua fidelidade à Tradição: não quer a Fraternidade se engajar na atual autodemolição da Igreja.
Elogiar e defender uma obra e depois condená-la à morte negando-lhe bispos, é repetir o gesto de Pilatos que declarou a inocência de Jesus e o condenou à crucifixão!
E isto se faz no momento em que o Vaticano vem dar um atestado público de boas intenções ao comunista (ateu e materialista) Mikhail Gorbatchov! (cf. O GLOBO 10/6/88 pág. 15).
E os jornais europeus acabam de anunciar a ordenação sacerdotal do pastor protestante Max Thurian, conferida pelo Cardeal Ursi de Nápoles, sem que ele tenha feito qualquer abjuração de suas heresias! (cf. Le Monde 12/5. La Croix 11/5, Présent 19/5 pág. 5).
Jean Guitton, grande amigo e confidente de Paulo VI, lamentava:"Como posso fazer compreender a meus irmãos separados que nossa Igreja romana seja tão acolhedora para com eles, quando a vêem tão rude para com certos fiéis?... É difícil abrir os braços aos que estão fora e os fechar aos de dentro..." ("Silence sur l'essentiel", p. 42).
Que contradição maior pode haver do que esta: abertura e compreensão para com os inimigos da Igreja e castigo para com os que querem permanecer fiéis?!

3 - Cisma
Cisma quer dizer ruptura, rompimento. Ruptura com a Igreja e com o seu chefe, o Papa. Evidentemente quando o Papa está com a Igreja. Porque pode um Papa romper com a Igreja: neste caso ele é que é o cismático. "Quanto ao axioma" "onde está o Papa aí está a Igreja", vale quando o Papa se comporta como Papa e chefe da Igreja; em caso contrário nem a Igreja está nele nem ele na Igreja" (Cardeal Caetano II-II, 39, 1 - Cardeal Journet, L'Eglise du Verbe Incarné, t. I, pág. 596). Do mesmo modo o grande teólogo jesuíta Suarez afirma que "o Papa poderia se tornar cismático se quisesse subverter todas as cerimônias eclesiásticas fundadas na tradição apostólica" (De Caritate, disp. XII, sect. I, nº 2, p. 733-734).
Ora, romper com quem rompeu com a Tradição não é Cisma, é fidelidade. Não se pode ter uma união de caridade com quem rompeu com a unidade da Fé da Igreja. Do mesmo modo que rebelar-se contra os inimigos invasores da Pátria não constitui rebeldia mas patriotismo.
São Roberto Belarmino diz: "Assim como é lícito resistir ao Pontífice que agride o corpo, assim também é lícito resistir ao que agride as almas... ou sobretudo àquele que tentasse destruir a Igreja. Digo que é lícito resistir-lhe não fazendo o que ordena e impedindo a execução de sua vontade..." (De Rom. Pont, lib II, c. 29).
A História da Igreja registra exemplos de Santos que ameaçaram romper com a autoridade eclesiástica prevaricadora para permanecerem fiéis. Assim São Godofredo de Amiens, Santo Hugo de Grenoble e Guido de Vienne (que mais tarde foi o Papa Calixto II) escreveram ao Papa Pascoal II, que vacilava na questão das investiduras: "Se, como absolutamente não cremos, escolherdes uma outra via, e vos negardes a confirmar as decisões de nossa paternidade, valha-nos Deus, pois assim nos estareis afastando de vossa obediência" (apud Bouix Tranct. de Papa, t. II, p. 650).

4 - Excomunhão
As penas canônicas supõem um delito, um pecado grave. Será um delito, será pecado ser fiel à Tradição?!
Ademais, as leis da Igreja, como aliás qualquer lei, são uma ordenação da razão promulgada para o bem comum.
As leis não são arbitrárias nem podem ser usadas arbitrariamente.
Assim, não pode haver sagração sem mandato pontifício, mas também o Papa não pode negar este mandato sem motivo. Pelo contrário, sua missão e obrigação é providenciar que haja bispos para a transmissão da verdadeira doutrina e conservação dos sacramentos.
O pior ainda é esta autorização ser negada por causa da Tradição da Igreja.
Qualquer Conferência Episcopal, mesmo estas que favorecem o erro, obtém tranquilamente autorização para sagrar bispos.
Por que à Fraternidade, reconhecida pelo visitador papal como obra de Deus para a restauração da Igreja, é negada a autorização?
A conservação da Fé e a salvação das almas é a suprema lei da Igreja (cf. canon 1752 do Código de Direito Canônico). E, por ser "suprema", a esta lei se subordinam todas as leis disciplinares.
Santo Atanásio, no séc. IV, não obedeceu ao Papa Libério que favorecia à heresia ariana. Por isso o Papa o excomungou (cf. Denz.-Schoenm. 138 - Ep. "Studens Paci").
Tanto a ordem como a excomunhão foram arbitrárias. Por isso não valeram. E Santo Atanásio não foi cismático. Enquanto que o Papa Libério passou à história como fautor de heresia, Santo Atanásio foi canonizado pela Igreja. E ele está no céu! E é o que importa!
Que meditem nisso aqueles que dizem que preferem errar com o Papa!
"Quando o veneno letal do arianismo arrebatou uma não pequena parte mas quase todo o universo, e quando a maior parte dos bispos havia sucumbido, quer pela violência quer pela fraude, e já quase não se discernia entre a imensa e avassaladora confusão, os verdadeiros adoradores de Cristo preservaram-se do contágio, preferindo a antiga fé à perfídia nova" (São Vicente de Lérins) - Commonitorium).

Pe. Fernando Arêas Rifan
Porta-voz dos "Padres de Campos" fiéis à Tradição.

"A crise da Igreja é uma crise dos bispos"
Sob o título acima o Boletim "Notizie de Una Voce Italiana - Dez/87 - noticia e reproduz parte de uma importante conferência do Prof.  Georg. May, diretor do Seminário de Direito Canônico da Universidade de Mogúncia, proferida durante jornada anual da Una Voce Germânica. Observa inicialmente o ilustre canonista e historiador da Igreja que o título da sua conferência é de autoria do Cardeal Seper, ex-prefeito da Sagrada Congregação para a defesa da fé. Ressalta em seguida, que não é a sua intenção contestar o próprio munus episcopal, e a obediência que se deve aos Bispos, "postos pelo Espírito Santo para reger a Igreja de Deus", mas de cumprir um dever para com a verdade, e o bem da Igreja, numa linguagem proporcional à gravidade da situação e da realidade eclesiástica, em vista a uma urgente mudança de orientação.
Para que se perceba todo o alcance dessa conferência basta que se mencionem os sub-títulos: "O insucesso do Concílio" - "A decadência pós-Conciliar" - "A anemia do anúncio da fé" - "A decadência do Clero" - "A bancarrota da disciplina" - "A desobediência dos Pastores" e "O seu desvio político" - "O dano mortal do Ecumenismo" - "A calamidade da reforma litúrgica".
Salta aos olhos a evidência de que todos esses males, que constituem a crise da Igreja, têm por principais responsáveis os Bispos.
O boletim da Una Voce Italiana reproduz o capítulo que tem por título "A calamidade da reforma litúrgica". Depois de lembrar que a Santa Missa, o que há de mais sagrado na Igreja, foi profundamente modificada, acrescenta que fato tão inaudito só foi possível graças ao apoio dos Bispos que acolheram os graves desvios das mentes de certos liturgicistas exaltados. Demonstra que a pretensa reforma litúrgica, foi a pior calamidade para a Igreja, está totalmente falida malgrado a insistência em se afirmar o contrário. Nota que o próprio Cardeal Ratzinger recusou-se a aceitar o pretenso sucesso da reforma litúrgica.
A responsabilidade dos Bispos em geral - e da Cúria Romana em particular é patente também pelo fato de os novos Livros Litúrgicos sancionarem os dois princípios mais deletérios da Sagrada Liturgia: o da "criatividade" e o da "aculturação", tem servido para, sob pretexto de adaptação aos costumes dos povos, introduzirem-se, entre muitas outras aberrações, invocações de divindades animistas, danças folclóricas e carnavalescas. E nas viagens do Papa, o que não se tem permitido sob tal pretexto? Basta lembrar o que aconteceu na Missa do Papa em Guiné-Papua, em que uma jovem que leu a Epístola, estava totalmente desnuda da cintura para cima.
Depois de fatos como estes, que mais se pode esperar? Isso só no campo litúrgico. E tudo sob os olhares dos Bispos, que a tudo, complacentemente, ou aprovam ou permitem, sendo eles os responsáveis pela ordenação do culto divino em suas dioceses. Acresce que os seus direitos foram, nesse campo, amplamente aumentados pelo último Concílio. Tinha, pois, razão o insuspeito Cardeal Seper ao afirmar que a crise da Igreja é crise dos Bispos.

Publicado na Revista Heri et Hodie nº 52.
Campos, abril de 1988

Escândalo Farisaico
O escândalo farisaico, ensina o catecismo, acontece quando uma palavra ou ação, irrepreensível em si mesma, provoca espanto e escândalo em certas pessoas tendenciosas, as quais fecham os olhos para outros fatos realmente escandalosos.
O nome vem do procedimento semelhante dos Fariseus, dos quais Jesus disse que "filtravam um mosquito e engoliam um camelo" (Mt. 23, 24). Cometiam os maiores crimes e injustiças e se escandalizavam, por exemplo, quando Jesus, para fazer o bem, não observava, como eles queriam, a lei do sábado.
A história se repete.
Quantos estão rasgando as suas vestes, a modo dos Fariseus, escandalizados porque Dom Marcel Lefebvre, para continuar com a Tradição da Igreja e fazer frente à heresia reinante, resolveu sagrar bispos realmente católicos!
Mas não se escandalizaram quando João Paulo II, visitando um templo luterano, elogiou a profunda religiosidade e a herança espiritual de Lutero (17/11/1980)! Nem se escandalizaram quando, acompanhado de vários Cardeais, João Paulo II, num templo luterano em Roma, participou de um ofício herético e recitou uma oração composta por Lutero (11/12/1983)!
Nem se escandalizaram quando João Paulo II recebeu uma delegação da maçonaria judaica B'nai B'rith, qualificando a recepção de "encontro entre irmãos" (17/4/1984)!
Nem se escandalizaram quando, na Tailândia, João Paulo II visitou o Patriarca Budista de Vasana Tera, diante do qual ele se inclinou profundamente (12/6/1984)!
Nem se escandalizaram quando, no Togo, ele assistiu, na "Floresta Santa", a ritos animistas e participou de ritos satânicos em Kara, em Togoville (8/8/1985)!
Nem se escandalizaram quando João Paulo II, na Índia, recebeu de uma sacerdotisa hindu, na testa, o sinal de "Tilak" (2/2/1986)!
Nem se escandalizaram quando João Paulo II visitou a grande Sinagoga de Roma, onde participou da recitação de salmos (13/4/1986)! Nem quando João Paulo II convidava os católicos e judeus a prepararem juntos o mundo para a vinda do Messias (!) (24/6/1986)!
Nem se escandalizaram quando, na Igreja de São Pedro, em Assis, no encontro promovido pelo Vaticano, os bonzos adoraram o Grande Lama, que para eles é a reencarnação de Buda, sentado de costas para o Sacrário, com o Santíssimo (cfr. Avvenire 28/10/1986)!
Nem quando, no mesmo encontro, na mesma igreja, o ídolo de Buda foi colocado sobre o Tabernáculo do Altar principal e lá foi adorado por eles (cf. Avvenire e Il Mattino 28/10/1986)!
Nem quando, ainda no encontro de Assis, patrocinado pelo Vaticano, os hindus invocaram os seus deuses, sentados em torno do altar da Igreja de Santa Maria Maior (cfr. Il Corriere della Sera, 28/10/1986)!
Quem, portanto, não sentiu profunda dor no coração ao ver assim o Sangue de Cristo ser pisado e a missão da Igreja ser traída, só hipocritamente poderá "rasgar as vestes" e "atirar pedras" diante da atitude firme e corajosa de Dom Marcel Lefebvre, levado unicamente pelo amor à Santa Igreja de Deus.
Já dizia São Gregório Magno: "É preferível que aconteça um escândalo que esconder a verdade. Escândalo duplo seria tolerar o erro, cobrir um crime com sua desculpa para não dizer sua cumplicidade"!
Verdade X Autoridade

Nosso Senhor fundou uma Igreja hierárquica, com Papa e Bispos a quem se deve obedecer. Esses hierarcas não são donos ou proprietários da Igreja. São administradores; e o que deles a Igreja exige é que sejam fiéis transmissores (Concílio Vaticano I - Dez. 3070). Seu poder é grande, mas não absoluto ou sem limites. E o fiel pode muito bem usar do direito - e da obrigação - de comparação entre o que lhe ensina e o que foi sempre ensinado, conforme proclama o Apóstolo São Paulo: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie um Evangelho diferente daquele que vos tenho anunciado, seja anátema". (Gal. 1, 8). A Igreja quando manda obedecer não o faz incondicionalmente, mas dá ao fiel o direito de analisar, comparar e resistir, se for preciso, como o disse e fez São Paulo com relação a São Pedro, primeiro Papa. (Cfr. Gal. 2, 11-14 e Suma Teológica II-II, q. 33, a IV).

Quando os tempos são normais e as autoridades nos transmitem a verdadeira doutrina tradicional, não há por que não obedecer, como o fizeram os santos de tais épocas. Mas se não, eles sabiam resistir e arrostar todas as pressões, arbitrariedades e abusos de poder.

O célebre hagiógrafo católico Dom Guéranger assim resume esta posição, comentado a resistência oposta pelos fiéis às autoridades que patrocinaram o erro no tempo da heresia do Bispo Nestório: "Quando o pastor se transforma em lobo, é ao rebanho que, em primeiro lugar, cabe defender-se. Normalmente, sem dúvida, a doutrina desce dos Bispos para o povo fiel, e os súditos, no domínio da Fé, não devem julgar seus chefes. Mas há, no tesouro da revelação, pontos essenciais, que todo cristão em vista de seu próprio título de cristão, necessariamente conhece e 'obrigatoriamente' há de defender. O princípio não muda, quer se trate de crença ou procedimento, de moral ou de dogma. (...) Os verdadeiros fiéis são os homens que extraem de seu Batismo, em tais circunstâncias, a inspiração de uma linha de conduta; não os pusilânimes que, sob pretexto especioso de submissão aos poderes estabelecidos, esperam, para afugentar o inimigo, ou para se opor às suas empresas, um programa que não é necessário, que não lhes deve ser dado" (L'Année Liturgique, p. 340 ss).

Evidentemente, viver em tempos de crise, como os que nós vivemos, é muito penoso e exige-se então, de cada um, verdadeiro heroísmo. É muito fácil defender causas já vitoriosas. O difícil é trabalhar arduamente pela vitória de uma causa justa. É muito fácil ser o corajoso adepto de uma verdade já vencedora. O difícil é aderir à vontade quando ela está perseguida e humilhada. É mais cômodo juntar-se às fileiras do exército vencedor. É mais agradável seguir a maioria, estar bem com quem está no poder. Mas é tremendamente incômodo lutar pela verdade quando até as autoridades patrocinam a causa contrária e favorecem o erro.

Hoje, quando a história já deu ganho de causa a Jesus Cristo, contra Anás e Caifás, não há quem julgue que, se vivesse naquele tempo, teria sido um fiel discípulo do Salvador e jamais teria tomado o partido de Caifás. Mas, teriam esses mesmos coragem de enfrentar as autoridades oficiais da religião verdadeira de então? Caifás era o Sumo Pontífice, cercado de outros representantes oficiais do poder de Deus. E nós vemos pelo Evangelho a "pressão" que essas autoridades faziam sobre os que queriam seguir a Jesus. São João no seu Evangelho (9, 22) narra aquela passagem dos pais do cego curado por Cristo negando-se a confessar o milagre porque os judeus tinham decidido expulsar quem aderisse a Jesus. É difícil ficar com a verdade até contra a autoridade. Por isso Jesus ficou com bem poucos amigos, porque a maioria não suportou a pressão e o peso da autoridade religiosa e preferiu ficar do lado do Sumo Pontífice Caifás e condenar a Jesus como impostor, ladrão e agitador do povo.

Hoje, séculos depois, quando vemos na História da Igreja (Cfr. Denz.-Sch. 561 e 563) que o Papa Honório I favoreceu a heresia e por isso foi condenado pelo seu sucessor Papa São Leão II e pelo VI Concílio Ecumênico por estar em desacordo com a tradição da Igreja, fica fácil dizer que nós, naquele tempo, também estaríamos do lado de São Máximo e São Sofrônio, que resistiram ao Papa e foram canonizados, isto é, colocados pela Igreja como modelo de fidelidade para todos os cristãos. Mas se defendêssemos o "dogma" da obediência incondicional ao Papa, como muitos hoje o fazem, estaríamos sim do lado dos hereges.

Assim também no confronto entre o Papa Libério e Santo Atanásio, este, defensor da ortodoxia e por isso expulso de sua igreja, e aquele, o Papa, que assinou uma fórmula ambígua e heretizante, ao sabor dos hereges e excomungou Atanásio porque este se recusava acompanhá-lo na sua defecção. O Papa Libério então, em nome da paz e da concórdia, declarou-se em união com todos os Bispos, inclusive os semi-arianos, menos com Atanásio, ao qual proclamou alheio à sua comunhão e à comunhão da Igreja Romana (Cfr. Denz.-Sch. 138). Santo Atanásio, por defender a sã doutrina, foi condenado como perturbador da comunhão eclesial! Hoje, depois que a Igreja canonizou Santo Atanásio como ínclito defensor da Fé e da Tradição, fica fácil dizer que estavam certos aqueles poucos que ficaram ao lado do Santo e foram expulsos das igrejas oficiais, sendo obrigados a se reunirem nos desertos debaixo de sol e chuva, mas conservando a fé intacta e respondendo aos hereges: vocês têm os templos, nós temos a Fé! (Cfr. São Basílio, ep. 242, apud Cardeal Newman - Arians of the Fourth Century, apêndice V). Mas, como ficariam, se vivessem naquele tempo, aqueles que põem na obediência o seu universo mental? Evidentemente do lado mais fácil e cômodo da autoridade, e da heresia por ela favorecida.

Hoje, a história da Revolução Francesa nos ensina quão covardes foram aqueles padres e bispos que, para conservarem as suas igrejas e seus cargos, aceitaram um compromisso com os dominantes e fizeram o juramento revolucionário, e quão heróicos foram aqueles sacerdotes que a isso se recusaram e foram expulsos, tendo que atender ao povo fiel nos paióis, escondidos e perseguidos.

De nossa parte, temos a plena convicção de que o melhor serviço que podemos prestar à Igreja, ao Papa, ao Bispo e ao povo cristão é defendermos a tradição, a doutrina que a Igreja sempre ensinou, mesmo à custa de sermos perseguidos, injuriados e até expulsos das igrejas. Podem nos tirar os templos, mas jamais a nossa Fé! Assim o dizemos, confiados unicamente na Graça de Deus.

A história nos dará razão! E, mais do que o tribunal da história, o tribunal de Deus, para o qual apelamos! Que Nossa Senhora nos dê coragem e perseverança.

Jornal Heri et Hodie (de Campos), nº 33 - setembro de 1986.

Cfr. Folha da Manhã, 31/08/86)

Pleno mundanismo na nova Igreja conciliar

1. A imagem que a Igreja oriunda do Concílio Vaticano II projeta hoje, é - dói-nos dizer - o de uma Igreja tributária do mundo, precisamente no que este tem de anticristão e contrário ao Evangelho. Foi a tendência que triunfou no último Concílio, sob a bandeira de "aggiornamento" e "abertura ao mundo", erguida pelo Papa João XXIII ao inaugurar este Concílio, totalmente atípico, na série dos Concílios ecumênicos da Santa Igreja. Foi a aplicação da expressão usada em plena aula conciliar: "É preciso casar a Igreja com o mundo".

2. Com um tal programa-anti-evangelho, a igreja ficou fortemente tributária ao mundo. Assim, o que na mente do Papa João era apenas uma "atualização",tornou-se de fato, uma ruptura profunda com todo o passado glorioso e bimilenar da Igreja.

No entanto, basta um conhecimento sumário da Tradição da Igreja de Jesus Cristo, para ver que Ela é uma Igreja toda voltada a salvar o mundo, sim, mas em nada tributária ao "mundo". Ou antes, tomando-se "mundo" no sentido de mundanismo, é uma Igreja anti-mundo.

3. Realmente, a palavra "mundo" tem, no Novo Testamento, mais de um sentido. Significa, de modo especial, tanto o conjunto dos homens a serem salvos, como o espírito do mal assimilado e vivido pelos homens mundanos.

Assim, para o 1º sentido, lemos, por exemplo, no Evangelho de S. João: "Deus de tal modo amou o mundo, que entregou o seu Filho único para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo. 3, 16). Mas o mesmo São João frequentemente toma "mundo" no 2º sentido: "Todo o mundo jaz sob o maligno" (1 Jo. 5, 19); por isso, acrescenta: "Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai, porque tudo o que já no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo" (1 Jo. 2, 16). Nesse sentido, também Nosso Senhor disse: "... Eu não rezo pelo mundo, mas por aqueles que me destes" (Jo. 17, 9). E a estes que o Pai Lhe deu, adverte: "Vós estareis tristes e chorareis, enquanto o mundo se alegrará"(Jo. 16, 20). Mas, "Coragem! Eu venci o mundo" (Jo. 16, 33). O "mundo" é aqui visto, pois, como um inimigo a ser vencido para libertar as almas de suas maléficas influências (Cf. 1 Jo. 5, 4-5).

4. Por isso, os Apóstolos enviados por Jesus, em sua ação apostólica, dando cumprimento à ordem do Divino Mestre de espalhar o Evangelho por toda a parte, começaram por declarar guerra ao "mundo". A sua ação traduz este ensino que receberam do Divino Mestre: "Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a Mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu" (Jo. 15, 18-19). Daí São Paulo afirmar no mesmo sentido: "... somos corrigidos por Deus para não sermos condenados com este mundo" (1 Cor. 11, 32). O mesmo lemos em São Tiago: "A amizade deste mundo é inimiga de Deus" (Tg. 4, 4). Daí, ainda São Paulo: "Não vos conformeis a este século (mundo)" (Rom. 12, 2).

5. Também Santo Agostinho comenta que "mundo", nesse sentido, significa "os amadores do mundo", isto é, as pessoas dominadas pelo espírito do mal que domina no mundo.

Tudo isso está tão claro em todo o Novo Testamento e em toda a ação apostólica da Igreja desde os começos, que é incrível o audacioso programa conciliar de mundanizar a Igreja através de sua funesta abertura ao mundo.


Na brecha da abertura ao mundo, entra a cunha do Maligno

6. Aproveitando-se da abertura ao mundo, contida na ousada expressão-bandeira dos inovadores modernistas no último Concílio, "Casar a Igreja com o mundo", o maligno introduziu nela a sua cunha que A desviou dos objetivos estabelecidos por Nosso Senhor: converter o mundo sem se mundanizar.

A própria história dos três primeiros séculos da vida da Igreja mostra que Ela preferiu ser banhada no sangue de seus filhos do que mundanizar-se. Realmente, não teria havido os três séculos de perseguição, se a Igreja não tivesse recusado qualquer pacto com o "mundo", ou seja, se Ela tivesse consentido que Jesus Cristo, Nosso Divino Salvador e Senhor, figurasse entre os muitos deuses do Panteon romano. A atitude da Igreja foi, pois, totalmente o contrário do novo Panteão de religiões e deuses do tipo "Assis".

7. Graças a Deus, que o Vaticano II só iria acontecer depois de dois mil anos de Tradição católica. E Papas como Paulo VI e João Paulo II, com seu nefasto ecumenismo escandalosa abertura da Igreja ao mundo, só vieram a aparecer agora, que já temos toda essa luz da Tradição. Luz muito clara e segura que nos está orientando nas presentes trevas pós-conciliares, e impede de nos desviarmos do autêntico Cristianismo, nessa tremenda crise de fé e desorientação, fruto do último Concílio.


"Inculturação": o "mundo" na Igreja

8. É realmente sob a bandeira da inculturação, outro mau fruto do Concílio, que se está introduzindo cada vez mais no que já de mais sagrado na Igreja, isto é, na sagrada Liturgia, e mais especialmente na Santa Missa, o "mundo", ou antes o pleno mundanismo. E isso através da introdução nela de todos os folclores dos povos - sem excetuar o candomblé dos africanos - como se fossem verdadeiras culturas, e não como frequentemente são, um misto de lendas e superstições grosseiras. Como se a Igreja não tivesse uma cultura bíblica e cristã, digna do nome "cultura", capaz de servir de veículo para expressar dignamente os sagrados mistérios.

9. Eis algumas amostras dos danosos efeitos dessa inculturação:

a) Na Índia, sacerdotes estão celebrando a Missa (a nova, é claro) meio desnudos, e nela misturam elementos idolátricos da religião hindu na qual se presta culto a vários "deuses" falsos, inclusive à divindade que tem o nome de "deusa" Shiva.

b) O Papa João Paulo II, em visita a esse país, consentiu em receber de uma sacerdotisa hindu a "unção" do "tilak" dessa falsa divindade. Note-se um pormenor: o "tilak" de Shiva é um preparado à base de escremento de vaca, que os hindus têm como animal sagrado.


c) Em Guiné Papua, no extremo oriente, uma jovem com o busto totalmente desnudo, subiu ao palanque onde o mesmo Papa celebrava a Santa Missa e fez a leitura da epístola da Missa.

d) Nesse país, porque, em vez de criação de ovelhas, era comum a de porcos, houve até quem sugerisse, em nome da tal inculturação conciliar, a substituição de "cordeiro", por aquele animal, na expressão: "Eis o cordeiro de Deus". Tão grande absurdo não foi ainda posto em prática. Ele mostra, porém, a grande desorientação que reina nas mentes de muitos eclesiásticos por causa da inculturação hoje aplicada à pastoral litúrgica.

e) E em nosso sofrido Brasil, é também em nome dessa inculturação, que temos, além da "missa" em rito afro-brasileiro (puro candomblé na Igreja!), várias outras, como a "missa" do vaqueiro, a "missa" dos quilombos, a "missa" do futebol (Galo mineiro), etc.

f) Nesse sentido vão os encontros inter-religiosos inaugurados pelo atual Papa em "Assis", que promovem o tipo de religião pleiteado pela "New Age" (Nova Era) com o seu programa de volta ao antigo paganismo, com o culto de seus falsos "deuses" da natureza.

10. Outro triste exemplo de mundanização de tudo o que é mais sagrado na Santa Igreja, foi o "show de rock" do Congresso Eucarístico de Bolonha, o qual o Papa aprovou e assistiu; no mesmo sentido, tivemos as exibições de samba, no final da sua Missa no Rio, que faltou pouco para terminar em carnaval.

Em tudo isso, que poderoso e perverso incentivo para os shows e bailesprofanadores das nossas festas religiosas! Como triste efeito desses mais exemplos vindos do alto, já tivemos na Diocese de Campos, recente versão "carnaval com Cristo", promovido inclusive por padres. E oxalá tenha sido só em Campos, pois, conforme noticiaram os meios de comunicação, em alguns lugares foi praticado por freiras tresloucas. Mas estamos presenciando pasmos de horror à novíssima versão dos assim ditos "shows-missas" em praias e estádios, executados por padres vedetes, com aprovação de altas autoridades eclesiásticas. Quanta profanação! Quanta injúria a Deus! Quanta desonra da Igreja! Quantos danos às almas!

11. Ah! se essa simples amostra de tantos absurdos, que se praticam em nome daperversa inculturação conciliar, servisse para abrir os olhos de tantos cegos! Mas, que fazer quando o sal não salga mais e a luz não ilumina? Rezar, rezar muito, e esperar plenamente pelo divino socorro do alto, que não falhará, cedo ou tarde.


Fonte: Avulsos "Fé íntegra", nº 5. Dom Licínio Rangel.
Pleno mundanismo na nova Igreja Conciliar

1. A imagem que a Igreja oriunda do Concílio Vaticano II projeta hoje, é - dói-nos dizer - o de uma Igreja tributária do mundo, precisamente no que este tem de anticristão e contrário ao Evangelho. Foi a tendência que triunfou no último Concílio, sob a bandeira de "aggiornamento" e "abertura ao mundo", erguida pelo Papa João XXIII ao inaugurar este Concílio, totalmente atípico, na série dos Concílios ecumênicos da Santa Igreja. Foi a aplicação da expressão usada em plena aula conciliar: "É preciso casar a Igreja com o mundo".

2. Com um tal programa-anti-evangelho, a igreja ficou fortemente tributária ao mundo. Assim, o que na mente do Papa João era apenas uma "atualização",tornou-se de fato, uma ruptura profunda com todo o passado glorioso e bimilenar da Igreja.

No entanto, basta um conhecimento sumário da Tradição da Igreja de Jesus Cristo, para ver que Ela é uma Igreja toda voltada a salvar o mundo, sim, mas em nada tributária ao "mundo". Ou antes, tomando-se "mundo" no sentido de mundanismo, é uma Igreja anti-mundo.

3. Realmente, a palavra "mundo" tem, no Novo Testamento, mais de um sentido. Significa, de modo especial, tanto o conjunto dos homens a serem salvos, como o espírito do mal assimilado e vivido pelos homens mundanos.

Assim, para o 1º sentido, lemos, por exemplo, no Evangelho de S. João: "Deus de tal modo amou o mundo, que entregou o seu Filho único para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo. 3, 16). Mas o mesmo São João frequentemente toma "mundo" no 2º sentido: "Todo o mundo jaz sob o maligno" (1 Jo. 5, 19); por isso, acrescenta: "Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai, porque tudo o que já no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo" (1 Jo. 2, 16). Nesse sentido, também Nosso Senhor disse: "... Eu não rezo pelo mundo, mas por aqueles que me destes" (Jo. 17, 9). E a estes que o Pai Lhe deu, adverte: "Vós estareis tristes e chorareis, enquanto o mundo se alegrará"(Jo. 16, 20). Mas, "Coragem! Eu venci o mundo" (Jo. 16, 33). O "mundo" é aqui visto, pois, como um inimigo a ser vencido para libertar as almas de suas maléficas influências (Cf. 1 Jo. 5, 4-5).

4. Por isso, os Apóstolos enviados por Jesus, em sua ação apostólica, dando cumprimento à ordem do Divino Mestre de espalhar o Evangelho por toda a parte, começaram por declarar guerra ao "mundo". A sua ação traduz este ensino que receberam do Divino Mestre: "Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a Mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu" (Jo. 15, 18-19). Daí São Paulo afirmar no mesmo sentido: "... somos corrigidos por Deus para não sermos condenados com este mundo" (1 Cor. 11, 32). O mesmo lemos em São Tiago: "A amizade deste mundo é inimiga de Deus" (Tg. 4, 4). Daí, ainda São Paulo: "Não vos conformeis a este século (mundo)" (Rom. 12, 2).

5. Também Santo Agostinho comenta que "mundo", nesse sentido, significa "os amadores do mundo", isto é, as pessoas dominadas pelo espírito do mal que domina no mundo.

Tudo isso está tão claro em todo o Novo Testamento e em toda a ação apostólica da Igreja desde os começos, que é incrível o audacioso programa conciliar de mundanizar a Igreja através de sua funesta abertura ao mundo.


Na brecha da abertura ao mundo, entra a cunha do Maligno

6. Aproveitando-se da abertura ao mundo, contida na ousada expressão-bandeira dos inovadores modernistas no último Concílio, "Casar a Igreja com o mundo", o maligno introduziu nela a sua cunha que A desviou dos objetivos estabelecidos por Nosso Senhor: converter o mundo sem se mundanizar.

A própria história dos três primeiros séculos da vida da Igreja mostra que Ela preferiu ser banhada no sangue de seus filhos do que mundanizar-se. Realmente, não teria havido os três séculos de perseguição, se a Igreja não tivesse recusado qualquer pacto com o "mundo", ou seja, se Ela tivesse consentido que Jesus Cristo, Nosso Divino Salvador e Senhor, figurasse entre os muitos deuses do Panteon romano. A atitude da Igreja foi, pois, totalmente o contrário do novo Panteão de religiões e deuses do tipo "Assis".

7. Graças a Deus, que o Vaticano II só iria acontecer depois de dois mil anos de Tradição católica. E Papas como Paulo VI e João Paulo II, com seu nefasto ecumenismo escandalosa abertura da Igreja ao mundo, só vieram a aparecer agora, que já temos toda essa luz da Tradição. Luz muito clara e segura que nos está orientando nas presentes trevas pós-conciliares, e impede de nos desviarmos do autêntico Cristianismo, nessa tremenda crise de fé e desorientação, fruto do último Concílio.


"Inculturação": o "mundo" na Igreja

8. É realmente sob a bandeira da inculturação, outro mau fruto do Concílio, que se está introduzindo cada vez mais no que já de mais sagrado na Igreja, isto é, na sagrada Liturgia, e mais especialmente na Santa Missa, o "mundo", ou antes o pleno mundanismo. E isso através da introdução nela de todos os folclores dos povos - sem excetuar o candomblé dos africanos - como se fossem verdadeiras culturas, e não como frequentemente são, um misto de lendas e superstições grosseiras. Como se a Igreja não tivesse uma cultura bíblica e cristã, digna do nome "cultura", capaz de servir de veículo para expressar dignamente os sagrados mistérios.

9. Eis algumas amostras dos danosos efeitos dessa inculturação:

a) Na Índia, sacerdotes estão celebrando a Missa (a nova, é claro) meio desnudos, e nela misturam elementos idolátricos da religião hindu na qual se presta culto a vários "deuses" falsos, inclusive à divindade que tem o nome de "deusa" Shiva.

b) O Papa João Paulo II, em visita a esse país, consentiu em receber de uma sacerdotisa hindu a "unção" do "tilak" dessa falsa divindade. Note-se um pormenor: o "tilak" de Shiva é um preparado à base de escremento de vaca, que os hindus têm como animal sagrado.


c) Em Guiné Papua, no extremo oriente, uma jovem com o busto totalmente desnudo, subiu ao palanque onde o mesmo Papa celebrava a Santa Missa e fez a leitura da epístola da Missa.

d) Nesse país, porque, em vez de criação de ovelhas, era comum a de porcos, houve até quem sugerisse, em nome da tal inculturação conciliar, a substituição de "cordeiro", por aquele animal, na expressão: "Eis o cordeiro de Deus". Tão grande absurdo não foi ainda posto em prática. Ele mostra, porém, a grande desorientação que reina nas mentes de muitos eclesiásticos por causa da inculturação hoje aplicada à pastoral litúrgica.

e) E em nosso sofrido Brasil, é também em nome dessa inculturação, que temos, além da "missa" em rito afro-brasileiro (puro candomblé na Igreja!), várias outras, como a "missa" do vaqueiro, a "missa" dos quilombos, a "missa" do futebol (Galo mineiro), etc.

f) Nesse sentido vão os encontros inter-religiosos inaugurados pelo atual Papa em "Assis", que promovem o tipo de religião pleiteado pela "New Age" (Nova Era) com o seu programa de volta ao antigo paganismo, com o culto de seus falsos "deuses" da natureza.

10. Outro triste exemplo de mundanização de tudo o que é mais sagrado na Santa Igreja, foi o "show de rock" do Congresso Eucarístico de Bolonha, o qual o Papa aprovou e assistiu; no mesmo sentido, tivemos as exibições de samba, no final da sua Missa no Rio, que faltou pouco para terminar em carnaval.

Em tudo isso, que poderoso e perverso incentivo para os shows e bailesprofanadores das nossas festas religiosas! Como triste efeito desses mais exemplos vindos do alto, já tivemos na Diocese de Campos, recente versão "carnaval com Cristo", promovido inclusive por padres. E oxalá tenha sido só em Campos, pois, conforme noticiaram os meios de comunicação, em alguns lugares foi praticado por freiras tresloucas. Mas estamos presenciando pasmos de horror à novíssima versão dos assim ditos "shows-missas" em praias e estádios, executados por padres vedetes, com aprovação de altas autoridades eclesiásticas. Quanta profanação! Quanta injúria a Deus! Quanta desonra da Igreja! Quantos danos às almas!

11. Ah! se essa simples amostra de tantos absurdos, que se praticam em nome daperversa inculturação conciliar, servisse para abrir os olhos de tantos cegos! Mas, que fazer quando o sal não salga mais e a luz não ilumina? Rezar, rezar muito, e esperar plenamente pelo divino socorro do alto, que não falhará, cedo ou tarde.


Fonte: Avulsos "Fé íntegra", nº 5. Dom Licínio Rangel.
A existência de Deus - Exmo. Revmo.
 Monsenhor Lefebvre


A fé, que é a ciência mais certa, à qual nos referimos, nos ensina a existência de deus: “Credo in unum Deum Patrem Omnipotentem, creatorem coeli et terrae, visibilium et invisibilium”.

Ela nos ensina que Deus é espírito: “Deus spiritu est”, Nosso Senhor o ensinou à Samaritana. É, pois, um Espírito todo poderoso que tudo criou.
Houve um momento em que o mundo não existia, onde somente Deus existia eternamente, em sua santidade e sua felicidade, perfeita e infinita, não tendo nenhuma necessidade de criar. No princípio de sua oração sacerdotal, Jesus faz alusão a esta época: “E agora Pai, glorificar-me-ei com aquela glória que eu tinha junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jô XVII,5).

A fé nos ensina que a razão pode chegar à conclusão da existência de Deus, e São Pedro em sua primeira Epístola (IPÊ I,18) repreende os homens com veemência por não haverem conhecido o verdadeiro deus que se manifesta em suas obras.

Realmente, tudo o que é, tudo o que somos, proclama a existência de Deus e canta suas perfeições divinas. Todo o Antigo Testamento e, particularmente, os Salmos e os Livros Sapienciais cantam a glória do Criador. É por isso que na oração litúrgica e sacerdotal os Salmos têm um lugar primordial.

É bom meditar sobre a criação “ex nihilo sui et subjecti”, feita do nada, pela simples decisão do Criador “qui putas se esse aliquid, cum nihil sit, ipse seducit: se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, ilude-se a si mesmo” (Gal VI,5).

Quanto mais nos aprofundamos nessa realidade, mais ficamos espantados com a onipotência de deus e com nosso nada, com a necessidade de toda criatura ser constantemente sustentada nesta existência, sob pena de desaparecer, de voltar ao nada. É isso que nos ensinam tanto a fé como a filosofia.

Essa meditação e essa constatação deveriam bastar para nos lançar humildemente em adoração profunda, numa atitude imóvel semelhante à imobilidade do próprio Deus. Deveríamos ter uma confiança sem limites naquele que é nosso Tudo e que decidiu nos criar e nos salvar.

Com que devoção e sinceridade deveríamos todas as manhãs, no começo das Matinas, recitar o Salmo XCIV: “Vinde, alegremo-nos… Vinde, adoremos… Seu é o mar pois Ele o fez, e a terra firme que suas mãos formaram, vinde adoremos e prosternemo-nos diante de Deus, choremos diante do Senhor que nos criou, porque Ele é o Senhor nosso Deus e nós somos seu povo e as ovelhas que Ele pastoreia”.

Como não agradecer à Igreja que põe suas palavras em nossos lábios para exprimir os mais profundos sentimentos de nossas almas de criaturas!

Se a criação é um grande mistério, é que Deus é para nós o grande Mistério e o permanecerá eternamente na visão beatífica. “Jamais alguém viu a Deus, senão aquele que vem de Deus”, somente o Verbo e o Espírito Santo vêm Deus, sendo de Deus e um só Deus com o Pai. (Jo VI,46).

Abordar os atributos e perfeições de Deus, realidade espiritual que abrange tudo, que vivifica tudo, que sustenta tudo na existência, só poderá aumentar o Mistério divino, para nossa maior satisfação, edificação e santificação.

Santo Tomás diz: “Quanto mais conhecermos perfeitamente a Deus aqui em baixo, melhor nós compreenderemos que Ele ultrapassa tudo o que a inteligência compreende” (II-II/8/3).

Vindo a fé em socorro da razão para nos convencer da existência de Deus e nos abrindo horizontes maravilhosos sobre a intimidade de deus pela Revelação e, sobretudo, pela Encarnação do Verbo divino, devemos interroga-la para saber se podemos dar a Deus um nome que será próprio de Deus e nos ajudará a melhor conhecê-lo.

Ora, é precisamente o que Deus fez, tanto no Antigo Testamento como no novo. Disse Moisés: “Eu lhes direi, o Deus de vossos pais me enviou a vós. Se eles me perguntarem qual é o seu nome, que lhes responderei? E Deus diz a Moisés: eu sou Aquele que sou. E ele continua: é assim que responderá aos filhos de Israel: Aquele que é, me envia a vós” (Ex III,13-14); assim também Nosso Senhor com os judeus, que lhes dizem: “Vós não tendes ainda cinqüenta anos e vistes Abraão? Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão fosse, eu sou” (Jô VIII,5-9).

Nunca serão suficientemente admiradas essas respostas luminosas que correspondem, aliás, às conclusões de nossa razão. “Deus é”, Ele é “ens a se”, o ser por Ele mesmo; todos os outros seres são “ab alio”, não têm sua razão de ser por eles mesmos.

Essas afirmações simples são uma fonte de meditação e de santificação interminável. Quer seja o olhar sobre Deus que termina no infinito, quer seja a constatação dos laços da criatura ao Criador, ou a visão do nada da criatura, estamos diante do que há de mais verdadeiro, de mais profundo e de mais misterioso em Deus e em nós.

Dom Marcel Lefebvre


Fonte: Blog's Católicos de Ribeirão e Católicos Tradicionais

quinta-feira, 28 de outubro de 1999

Reverendíssimo sacerdote, 
Sua benção!

A Capela Nossa Senhora das Alegrias, reza e oferece apoio ao senhor que deseja aprenda a rezar a Missa Tridentina, a Missa Católica!

Para conservação da sua fé e da fé dos vossos fiéis, reze somente a Missa Tridentina,  guarde e transmita unicamente e integralmente a doutrina tradicional da Igreja, sem máculas e nem novidades, resista a heresia modernista.  Salve as almas!

* * * 


Rubricas da Missa Rezada no Rito Tridentino Completo (Inglês)

Rubricas da Missa Rezada no Rito Tridentino Parte I (Espanhol)

Rubricas da Missa Rezada no Rito Tridentino Parte II (Espanhol)


Rubricas da Missa Rezada no Rito Tridentino Parte III (Espanhol)


Rubricas da Missa Rezada no Rito Tridentino Parte IV (Espanhol)


Rubricas da Missa Rezada no Rito Tridentino Parte V (Espanhol)


Rubricas da Missa Rezada no Rito Tridentino Parte VI (Espanhol)


Rubricas da Missa Rezada no Rito Tridentino Parte VII (Espanhol)
Próxima aula: Dia 29/10 - Sábado, Não perca!

quarta-feira, 27 de outubro de 1999

Preparar os paramentos para Missa rezada
                                            Nota: Apenas para mostrar claramente o modo 
de proceder temos utilizado paramentos de cores diferentes







Preparar o Cálice para Missa rezada





Preparar o Altar para Missa rezada


Preparar a credencia para Missa rezada