quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Hoje, Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina! Santa Rosa de Lima, salvai nossa América!

Sermões: Santa Rosa de Lima (do ano de 2015)

Sermão proferido por Dom Tomás de Aquino OSB. Desejou-se, tanto quanto possível, conservar em sua escrita a simplicidade da linguagem oral.

PAX
Santa Rosa de Lima 2015
Hoje a Santa Igreja festeja a padroeira da América do Sul [Errata - de toda América], Santa Rosa de Lima, nascida no dia 20 de abril de 1586, em Lima, capital do Peru, país que faz divisa com Equador, Colômbia, Brasil, Bolívia e Chile, país que desde cedo deu não só Santa Rosa à Igreja mas também São Turíbio, arcebispo de Lima que confirmou o nome de Rosa de nossa santa padroeira. Este nome não era o que seus pais haviam escolhido, mas vendo-a brilhar com uma cor de rosa forte, quase vermelho, lhe deram este nome ao qual foi acrescentado depois o de Maria. Seu pai chamava-se Gaspar Flores e sua mãe Maria de Oliva. Eram bons católicos e educaram bem sua filha.
Mas Santa Rosa iria rapidamente crescer na vida espiritual de modo que espantaria os próprios pais. Aos 5 anos de idade, Santa Rosa consagrou sua virgindade a Deus e raspa ela mesma seus cabelos. Embora de obediência exemplar, ela se opunha a toda vaidade que sua mãe pedia legitimamente para ela.
Quando sua mãe lhe fez um pequeno enfeite de flores para a cabeça, a fim de ir com ela à cidade, Santa Rosa aí introduziu uma agulha que entrou tão fundo em sua cabeça que foi preciso chamar um cirurgião para retirá-la.
Quando seus pais passaram necessidade, ela se entregou ao trabalho costurando em casa durante a noite e cuidando de uma horta no quintal da família. Sua mãe, reconhecendo as virtudes de sua filha, não mais a obrigou a ir à cidade e permitiu que ela levasse uma vida de oração em sua casa. Ela fez uma pequena cela no fundo do quintal e aí passava longas horas em oração.
No dia 10 de agosto de 1606, ela recebeu o hábito da Ordem Terceira de São Domingos pelas mãos do Frei Afonso Velasquez. O hábito dominicano é branco com uma capa preta. O branco simboliza a pureza. O preto, a mortificação. Santa Rosa brilhou nestas duas virtudes, vivendo como um anjo e como uma penitente.
Aos 15 anos de idade, fez voto de não comer carne a não ser quando obrigada por quem tivesse autoridade sobre ela. Mortificava-se no comer – na Quaresma se alimentava de caroços de laranja –, no beber, no tato – com cilícios e duras disciplinas –, e no dormir – dormindo sobre cacos de telha.
Tinha junto à carne uma garrafa de fel, que ela, ao acordar, bebia um pouco para se lembrar do que Nosso Senhor tomara na cruz.
Esta vida mortificada por amor de Nosso Senhor lhe valeu um dia a aparição de Nosso Senhor que, com seus anjos e Maria Santíssima, lhe disse: “Rosa de meu Coração, eu a tomo por esposa”. Como ela não pudesse crer no que ouvia e repetisse que ela era apenas sua escrava, Nossa Senhora teve de lhe dizer: “Rosa, bem-amada de meu Filho, tu és agora sua verdadeira esposa”.
Ela fazia 12 horas de oração mental por dia e no trabalho tinha sempre o pensamento em Deus. Sendo muito tentada pelo demônio, sofreu 15 anos de amargas tentações. Devido a sua vida por demais extraordinária, as autoridades da Igreja fizeram-na passar por um interrogatório feito pelos teólogos da cidade de Lima. Eles concluíram que sua vida era santa e agradável a Deus. Ela faleceu com 31 anos de idade e 5 meses. Suas últimas palavras foram “Jesus, esteja comigo!”, “Jesus, esteja comigo!”. Em seu enterro, as autoridades de Lima quiseram levar seu caixão com grande honra e pouco mais de 50 anos após sua morte ela foi canonizada.
Entre os milagres reconhecidos pela comissão que trabalhou em sua canonização, constaram duas ressurreições, ou seja, duas pessoas que ressuscitaram devido à intercessão de Santa Rosa. São poucos os santos aos quais Nosso Senhor concedeu operar tal milagre.
Ela foi declarada padroeira da América do Sul, esta América católica, conquistada para Nosso Senhor pelo trabalho incessante e heroico dos missionários espanhóis e portugueses. Jesuítas, dominicanos, franciscanos, beneditinos, carmelitas e tantas outras ordens e congregações vieram para a América do Sul e aqui plantaram a cruz, semearam a semente da fé no coração dos habitantes de nosso continente.
E foi assim que nasceu esta belíssima flor, Santa Rosa de Lima, esposa de Nosso Senhor, padroeira de toda a América do Sul. Hoje, mais do que nunca, devemos pedir a Santa Rosa que nos ajude.
Que seu exemplo de pureza seja admirado, imitado, louvado, procurado. Esta virtude deve ser praticada em todos os estados, pois ela se resume na castidade própria do estado de cada um! E como Santa Rosa foi tão pura como um lírio? Pela mortificação e oração.
Mortificação Nossa Senhora pediu às crianças de Fátima, mortificação Nosso Senhor nos pregou no Evangelho, dizendo “Se não fizerdes penitência perecereis todos”. Quem pecou deve pagar por seu pecado. Quem pecou deve se mortificar no comer, no beber e de tantas outras maneiras que a divina Providência põe a nosso alcance.
“Há tantas almas que vão para o Inferno porque não há ninguém que reze e se mortifique por elas”, disse Maria Santíssima às crianças de Fátima.
Que seja para Santa Rosa de Lima, que seja para as crianças de Fátima, que seja para qualquer um dos santos da história da Igreja, a recomendação será sempre a mesma: oração e penitência.
Foi o que Nossa Senhora pediu a Santa Bernadete em Lourdes: oração e penitência.
Mas, dirão alguns, “Isto é duro demais!”. Engano. Grande engano. Nossa alma é feita para Deus e o que a aproxima de Deus enche a alma de uma alegria que é superior a toda pena. “Quem ama não pena”, dizia Santo Agostinho, “e se pena, ele ama sua pena”. Quem ama não sofre, e se sofre, ele ama seu sofrimento. É duro? Sim, é duro, mas é santo e a santidade vale mais do que tudo.
Hoje vemos a América do Sul resvalar para a apostasia, vemos o protestantismo invadi-la por toda a parte, vemos os costumes de nosso povo se tornarem cada vez mais pagãos e corrompidos, vemos o clero participar desta decadência porque não prega a verdade revelada.
O clero não prega o que a Santa Igreja ensina a respeito não só da moral, mas também das teorias que destroem a sociedade, como o comunismo. A apostasia progressiva do clero lança as almas numa desorientação diabólica. Ora, Santa Rosa venceu as tentações e as ilusões do demônio. Ela, por sua obediência, sua contemplação, sua penitência, não se deixou nem iludir nem seduzir por ele. Peçamos a ela que nos proteja, que nos obtenha a graça de uma maior penitência, de um maior amor à oração.
É triste ter de dizê-lo, mas é necessário dizê-lo. Nem todos podem compreender o que vou dizer, mas é necessário que alguns o entendam, pois é necessária uma reação proporcionada ao mal que se abateu sobre a Igreja. É necessário se dar conta do que se passa na Santa Igreja, é necessário salvar as almas indicando a elas onde está o perigo.
Foi o abandono da doutrina da Igreja por parte do clero, dos bispos, dos cardeais e, é preciso dizê-lo, do Santo Padre ele mesmo, que precipitou esta crise no mundo inteiro. Que fazer para reagir? Que fazer para recuperar o terreno perdido, as almas perdidas, o fervor perdido?
É necessário imitar Santa Rosa de Lima e oferecer a Nosso Senhor Jesus Cristo as homenagens, as adorações, o amor que Lhe é devido. Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus e Ele é o Redentor de todo o gênero humano. Só Ele redimiu a natureza humana, nos livrando do cativeiro do pecado e do demônio. Só Ele nos livrou das consequências do pecado.
Ora, é Nosso Senhor que hoje é desfigurado, deturpado, assimilado a um revolucionário. Querem fazer d’Ele um partidário do comunismo. Ora, Pio XI já censurou: “O comunismo é intrinsecamente perverso”. Por isso, nenhuma cooperação com os comunistas é permitida. Ora, o que se passa hoje? É triste dizê-lo. O clero católico, os bispos, a Santa Sé não defendem mais os católicos contra estes erros que querem tirar Nosso Senhor Jesus Cristo da vida das nações.
Não é da ONU de que nós precisamos. Nós precisamos é de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei dos reis, Rei de todo o universo. Não é Marx nem a Maçonaria nem o que quer que seja que pode dar a paz e a prosperidade ao mundo e a vida eterna no outro. É Nosso Senhor Jesus Cristo, Esposo de nossas almas, Redentor do gênero humano, único Salvador, única salvação para o mundo moderno. Com todas as nossas forças devemos lutar, rezar, fazer penitência para que o pedido do Pai Nosso, “venha a nós o vosso reino”, se realize.
Ora, depois do Concílio Vaticano II, não se quer mais saber de Cristo Rei e de sua lei. Daí a corrupção dos costumes e as desordens crescentes na vida da sociedade: dissolução do casamento, abandono dos filhos, corrupção nas escolas, criminalidade, sensualidade, perda das vocações, televisão imoral, filmes imorais, perda do gosto pelo estudo, abandono da oração, desprezo pela penitência.
Voltemo-nos para Santa Rosa de Lima e prometamos a nossa padroeira mudar de vida, abraçar a cruz, amar a oração e seguir Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado e sua Mãe Santíssima. Só aí está a salvação. Só aí está a paz para o mundo. Só aí a verdade e não uma união adúltera entre o comunismo e o catolicismo, união inventada pelo demônio e por aqueles que o seguem.
Digamos não a tudo o que não vem de Deus. Viva o Cristo Rei, Esposo celeste de Santa Rosa e de todas as almas que O amam de todo seu coração, com todas as forças e com todo o seu espírito! Assim seja.
Dom Tomás de Aquino O.S.B.

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